Tiago Nacarato quis desta vez cantar as “dores humanas, não físicas mas psíquicas”

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Ao quarto álbum, o cantor e compositor Tiago Nacarato partiu de uma perda pessoal (a morte da sua avó, em 2024) para construir um disco fixado, como ele diz, nas “dores humanas, não físicas mas psíquicas.” Não Sabia o Desamor, assim se chama este trabalho, já está disponível desde Abril e há-de ter uma apresentação ao vivo ainda este ano, antes dos dois concertos com que Tiago assinalará os seus dez anos de carreira, em Janeiro de 2027, o primeiro no Grande Auditório do CCB, em Lisboa (dia 23) e o segundo no Coliseu Porto AGEAS (dia 30).

Não Sabia o Desamor reúne nove temas, quatro com letra e música de Tiago Nacarato (Amélia, dedicado à sua avó, Há de haver, Cada um para seu lado e Bonsai), dois em parceria com outros músicos (Não sabia o desamor, com Milhanas e Beu Golim; e Paisagem, com Edu Mundo) e as restantes três compostas por outros autores, assinando todos eles letra e música (Pela metade, de Luísa Sobral; Avesso, de Diogo Brito e Faro; e Novelo, de Picas).

“Como criativo, vou um pouco ao sabor do vento”, diz Tiago ao PÚBLICO. “E aquilo que me vai acontecendo vai-me dando mais ou menos vontade de escrever, de fazer álbuns, etc. A morte da minha avó, há dois anos, foi um momento muito significativo para mim e suscitou-me este vontade de falar das fraquezas emocionais, tanto dessa ocasião como a síndrome do impostor como a dúvida: ‘deveria ter ido ou ficado, será que somos só paisagem?’ Ou seja, foi um disco em que me fixei mais nessas questões das dores humanas, não físicas mas psíquicas.”

Nascido no Porto, em 12 de Maio de 1990, com ascendência brasileira, Tiago começou a frequentar a Escola Valentim Carvalho aos 18 anos e em 2017 já participava no concurso The Voice Portugal, lançando publicamente um primeiro tema em 2018, A dança. O seu primeiro álbum, Lugar Comum, foi lançado no ano seguinte, 2019, e desde então lançou Samba de Bolso (EP, 2020), Peito Aberto (2022), Beira Mar-Live (2024) e Não Sabia o Desamor (2026). A par da carreira a solo, Tiago tornou-se vocalista da também portuense Orquestra Bamba Social.

A construção do novo álbum foi feita aos poucos. Quatro dos temas foram gravados em 2024 (três em Outubro e um em Novembro), dois em Outubro de 2025 e outros dois em 2026 (em Janeiro e em Fevereiro) e o último é uma gravação antiga, feita em Abril de 2019, onde Tiago Nacarato contou com a participação especial do vibrafonista de jazz Eduardo Cardinho. “Fui reunindo músicas vou gravando e guardando, como essa com o Eduardo Cardinho, Avesso, que é da autoria do meu querido amigo Diogo Brito e Faro e que foi gravada em pandemia, cada um na sua casa”, explica ele agora. “Fui buscar Paisagem, que foi feita até antes da Avesso, com o Edu Mundo, uma música que sempre percorria o nosso círculo de saraus mas nunca tinha tido espaço num disco. Vou fazendo músicas e depois encaixo-as assim nos discos.”

A capa do disco
MIGUEL OLIVEIRA

O álbum abre com Pela metade, letra e música de Luísa Sobral. “Pedi-lhe especialmente que falasse sobre o tema que tinha pensado para o disco e ela fez essa canção maravilhosa que assentou na perfeição, como um fato no alfaiate”, explica Tiago. “A Avesso [com Eduardo Cardinho] integrei-a porque achei que fazia sentido. E a Novelo foi uma sugestão da Picas e gravei-a porque tem a ver com este disco, com uma sonoridade meio cinemática, mais solitária, de uma ausência. Acho que este é o meu disco com mais parcerias, a nível de escrita.”

Entre duas culturas que marcam a sua vida e a sua música, a portuguesa e a brasileira, Tiago afirmou recentemente numa entrevista que ia passar uns tempos no Brasil. “Eu tinha tirado o mês de Março para ir para lá e fui, só que fui apenas uma semana porque na verdade tinha de lançar este disco e as datas sobrepuseram-se. E eu estou a dar mais carinho a este disco e quero focar-me nele a cem por cento”, esclarece Tiago. “Vim de uma tournée muito grande no Brasil em Novembro, de quinze shows lá, e depois essa coisa de parar, acabar o disco e lançá-lo levou mais tempo do que eu esperava. Mas nessa semana fiquei lá, a sentir a pulsação daquilo, fiz alguns saraus, e morar no Brasil é com certeza parte de um plano ideal para a minha carreira.”

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