Trump cita “grandes progressos” nas negociações com o Irão e suspende missão naval no estreito de Ormuz

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A missão naval destinada à escolta de navios comerciais no estreito de Ormuz pela Marinha norte-americana durou menos de dois dias. Na terça-feira, 5 de Maio, à noite e perante um cenário em que se temia que a tensão crescente naquela via marítima pudesse acabar rapidamente com o acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Teerão, Donald Trump recorreu às redes sociais para anunciar a suspensão do chamado “Projecto Liberdade”.

Numa mensagem publicada na Truth Social, o Presidente norte-americano explicou que “embora o bloqueio” da Marinha dos EUA “se mantenha em pleno vigor e efeito”, o “facto de se terem registados grandes progressos no sentido de um acordo total e definitivo com os representantes do Irão” e tendo em conta o “pedido do Paquistão e de outros países” e o “enorme sucesso militar” da campanha contra o regime iraniano, justificam uma pausa na missão.

“O ‘Projecto Liberdade’ será suspenso por um curto período de tempo para vermos se o acordo [com o Irão] pode ou não ser finalizado e assinado”, escreveu Trump na sua rede social, referindo-se à operação naval lançada na segunda-feira.

Em Pequim, onde se encontrou nesta quarta-feira com o seu homólogo chinês, Wang Yi, Abbas Araqchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, não fez qualquer referência aos “grandes progressos” nas negociações referidos por Trump, mas afiançou que o Governo da República Islâmica vai “dar o seu melhor para salvaguardar” os seus “direitos e interesses legítimos” e só aceitará um “acordo justo e abrangente”.

Na última proposta que os negociadores iranianos apresentaram aos EUA, baseada em 14 pontos, destacam-se as exigências de retirada militar norte-americana do Golfo e do estreito de Ormuz, de levantamento de sanções internacionais e o descongelamento de activos financeiros iranianos bloqueados no exterior, do pagamento de compensações de guerra e do fim das hostilidades no Líbano, onde Israel mantém a sua guerra contra o Hezbollah.

Na semana passada, o Irão também propôs adiar as discussões sobre o futuro do seu programa nuclear para uma fase subsequente do processo negocial, uma possibilidade que a Administração Trump não parece disposta a aceitar, uma vez que um dos motivos recorrentemente referidos pelos seus membros para justificar esta guerra é a necessidade de impedir que o país do Médio Oriente produza uma bomba atómica.

A mais recente marcha-atrás da Casa Branca na estratégia para reabrir o estreito de Ormuz e para encontrar um fim definitivo para o conflito iniciado há mais de dois meses, ao lado de Israel, contra o Irão, foi anunciada após menos de dois dias de grande desconfiança das empresas de transporte marítimo com as garantias de segurança prometidas pelo Pentágono e durante os quais os Emirados Árabes Unidos e navios com bandeiras de França ou da Coreia do Sul denunciaram novos ataques iranianos e Teerão disse ter atingido navios da Marinha dos EUA.

Entre ameaças e desmentidos das várias partes e perante escalada na tensão no estreito, Pete Hegseth, secretário da Defesa norte-americano, assegurou, na terça-feira, que a trégua acordada há cerca de um mês se mantinha em vigor e que a via marítima estava “navegável”.

Os sites de monitorização do estreito mostram, no entanto, pouco movimento de embarcações comerciais e o próprio Pentágono assumiu que havia cerca de 1550 navios “presos” numa passagem marítima essencial para a exportação de petróleo e gás natural para todo o mundo, mas, principalmente, para a Ásia de Leste.

Na mesma linha de Hegseth, Marco Rubio, secretário de Estado, insistiu que a “Operação Fúria Épica” – o nome dado pelo Governo à guerra lançada no dia 28 de Fevereiro contra o Irão – “acabou”, “tal como o Presidente [Trump] notificou ao Congresso” e explicou que os esforços da Marinha do país no estreito de Ormuz são de “natureza defensiva”.

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