O antigo primeiro-ministro José Sócrates entrou esta quinta-feira em tribunal não como arguido da Operação Marquês mas para fazer sentar o Estado no banco dos réus, por causa dos atrasos na fase de investigação deste megaprocesso.
“Finalmente o Estado vai ser julgado”, congratulou-se o agora queixoso, apesar dos nove anos que teve de esperar por este dia: a queixa do antigo governante socialista por morosidade do Ministério Público data de 2017.
Entretanto, também já apresentou o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que enviou recentemente perguntas a Portugal sobre a questão. Neste processo administrativo que desencadeou contra o Estado, Sócrates reclama uma indemnização de 205 mil euros, como compensação não só pelas demoras, como também da violação do segredo de justiça de que diz ter sido alvo e da forma como foi tratado nos comunicados emitidos pela Procuradoria-Geral da República sobre o caso.
“A minha confiança na justiça não permite grandes optimismos. Mas aqui estou, ao fim de nove anos”, declarou aos jornalistas à entrada do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa. A investigação da Operação Marquês demorou cerca de quatro anos, ao que se juntam mais três anos e meio de fase instrutória do processo, que agora se encontra em julgamento e no qual Sócrates é o principal arguido.
Já dentro da sala de audiências do tribunal administrativo, o queixoso demonstrou uma atitude de hostilidade perante a juíza que o esteve a inquirir idêntica à que assumiu com a juíza que lidera o julgamento da Operação Marquês. Questionado sobre se as delongas da justiça lhe causaram angústia e insónias, José Sócrates foi peremptório: “Se essa pergunta visa expor a minha privacidade, eu não entro nesse jogo.”
“Mas sim, este processo causou-me enorme sofrimento”, acabou por admitir, não sem antes continuar a criticar as perguntas que lhe iam sendo feitas pela magistrada.
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