A alta representante para a Política Externa e de Segurança da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou neste domingo que o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, “não gosta” da União Europeia (UE), por não querer lidar com os 27 Estados-membros enquanto potência geopolítica.
“Claramente não gostam da UE”, declarou Kaja Kallas, numa entrevista realizada no âmbito da Conferência Lennart Meri sobre política externa e segurança, que decorreu este fim-de-semana em Talin, capital da Estónia. Kallas comparou esta postura à da Rússia e da China.
“Temos de perceber porque é que não gostam da UE; porque é que a China não gosta da UE; porque é que a Rússia não gosta. É porque, se nos mantivermos unidos, se agirmos de forma coordenada, então somos potências equivalentes, somos fortes”, afirmou, advertindo que essas grandes potências “pretendem desmantelar” o bloco comunitário.
Neste contexto, disse estar “muito preocupada” com alguns países da UE que aceitam de Washington discursos como “as nossas relações convosco são óptimas, mas não gostamos da União Europeia”, uma vez que fazem parte da estratégia norte-americana de “dividir para conquistar”.
Ao mesmo tempo, a chefe da diplomacia europeia manifestou preocupação com uma tendência revelada por sondagens (divulgadas em Outubro passado), segundo as quais a percepção pública europeia se torna cada vez mais crítica em relação a Washington, a ponto de apenas 14% considerarem os Estados Unidos um aliado, enquanto 42% dos norte-americanos consideravam a Europa como aliada.
“Não nos devemos deixar levar por isso; precisamos uns dos outros. As nossas economias estão interligadas e a nossa segurança também”, sublinhou.
Kallas criticou também a posição norte-americana no âmbito das negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, estagnadas há vários meses, considerando que esta passou por “pressionar a Ucrânia a ceder territórios que nem sequer perdeu militarmente”.
A estratégia adequada perante a guerra, insistiu, seria “continuar a pressionar a Rússia”, para que Moscovo perceba que a táctica de recorrer aos Estados Unidos para alcançar objectivos não funcionou e que tenha de se sentar à mesa das negociações com Kiev e com os europeus.
De forma geral, acrescentou a alta representante, a estratégia de Trump consiste em “fazer chocar as cabeças” dos rivais e impor-lhes a paz, mas, argumentou, “um conflito não termina sem aceitação social”.
Kallas considerou que, nesse sentido, é necessário lidar com as raízes do problema e garantir que exista justiça, pois, caso contrário, uma parte da população “procurará vingança e o ciclo continuará”.
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