Mais de metade das famílias com crianças em Portugal são compostas por filhos únicos

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Se bater à porta de uma casa na União Europeia (UE), tem cada vez maiores probabilidades de descobrir que os seus moradores não incluem crianças, sendo adultos sozinhos ou casais sem filhos. E nas habitações em que ainda existem crianças é cada vez mais difícil encontrar mais do que uma. Portugal ainda está acima da média da UE na quantidade de casas com crianças, mas é também o país em que o filho único é mais preponderante.

Os dados de Eurostat relativos a 2025 mantêm a tendência que se vem sentindo nos últimos anos, agravando-a: há cada vez mais agregados familiares sem crianças na região, e quando elas existem, não têm irmãos. A percentagem de adultos sozinhos também está a crescer. Nada que surpreenda, face ao quadro demográfico de uma Europa cada vez mais envelhecida e em que as pessoas vivem cada vez mais anos.

Olhando para os números, o gabinete estatístico diz-nos que, nos cerca de 203,1 milhões de habitações na UE, apenas existiam crianças em 23,4% delas, ou seja, em 47,4 milhões de agregados. E nestas famílias com crianças, a predominância ainda é para os casais com filhos (14,7%). E, se em 2024 já se dizia que quase metade dos agregados em que existiam crianças estes eram compostos por apenas uma criança, essa percentagem já foi ultrapassada: no ano passado, das habitações na UE com crianças, 50,2% estavam nessa situação. Seguiam-se os agregados com duas crianças (37,6%), ficando a percentagem mais baixa (12,2%) para os que tinham três ou mais crianças.

Entre os seus pares, Portugal ainda continua a ter uma percentagem de habitações com crianças acima da média da UE (25,1%), mas é também o país em que, quando há crianças, estas são cada vez mais filhos únicos – de todos os agregados com crianças no país, 61,8% tinham apenas uma. No extremo oposto, Portugal estava também entre os países em que a presença de três crianças ou mais num agregado familiar era mais baixa – apenas 6% do total dos agregados com crianças tinham essa composição.

Em termos globais, a tendência da redução do número de crianças e de aumento de adultos a morar sozinhos atravessa toda a UE. Dos 76,6% de habitações sem crianças, 37,5% tinham adultos a morar sozinhos, enquanto 24,1% eram agregados compostos por casais sem crianças e 15,1% eram constituídos por outro tipo de agregados sem crianças.

Adultos sozinhos são cada vez mais

Os agregados compostos apenas por um adulto foram aqueles que mais cresceram, olhando para a evolução entre 2016 e 2025. O Eurostat indica que esse crescimento foi de 19,2%, tendo passado de 63,9 milhões de casas habitadas por uma só pessoa, para 76,1 milhões. Os casais sem crianças também aumentaram, mas não de forma tão evidente – o crescimento situa-se nos 3,3%, relativo a 48,9 milhões de habitações, comparando com os 47,3 milhões de 2016.

Em sentido inverso, houve uma diminuição de casais com crianças na ordem dos 6,3% (passou-se de 31,9 milhões de casas para 29,9 milhões), enquanto outros tipos de agregados com crianças também caíram em 3,5%, descendo de 11,8 milhões para 11,4.

Apesar da tendência que atravessa a UE, a realidade não é idêntica em todos os países. Na Eslováquia – o país com maior percentagem de agregados com crianças – ainda é possível encontrar crianças em 35,4% dos agregados, enquanto na Finlândia, no extremo oposto, isso só é uma realidade em 18,2% das habitações.

Olhando para o número de crianças por agregado, o Eurostat também nos diz que, em 2025, a presença de mais do que uma criança ainda era o mais comum em 14 dos 27 Estados-membros, com a percentagem mais elevada a verificar-se na Suécia (57,8% dos agregados com crianças).

No que concerne à monoparentalidade, as mulheres continuam a ser quem mais vive esta experiência, com os dados de 2025 a não diferirem muitos dos do ano anterior. O Eurostat diz-nos que 5,5% das mulheres entre os 25 e os 54 anos eram mães solteiras, enquanto a percentagem de pais solteiros na mesma faixa etária era de apenas 1,1%.

Na maior parte das habitações com crianças, há, pelo menos, um adulto a trabalhar, ou seja, em 61,3% uma percentagem mais elevada do que quando se tem em conta o total dos agregados, incluindo os que não têm crianças, quando o valor baixa para 58%.

Em Portugal, a percentagem de crianças que viviam em agregados em que os adultos não trabalhavam voltou a baixar, ficando nos 4,7% (era 5,2% no ano anterior), bastante abaixo da média da UE, que se situava nos 7,8%.

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