Middlesbrough-Southampton: o caso do estagiário-espião e uma decisão que vale milhões

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Não é nada que mereça um livro de John Le Carré ou um filme de James Bond, mas é um caso de espionagem que está a captar as atenções neste final de temporada no futebol inglês. O Middlesbrough acusou o Southampton de enviar um espião para filmar e fotografar os treinos da sua equipa antes dos jogos do “play-off” que dão acesso à Premier League. A notícia “explodiu” ainda antes da primeira mão (que deu empate, 0-0) e foi ganhando dimensão nos dias que se seguiram, especialmente após o jogo da segunda mão, em que o Southampton saiu vitorioso (2-1, após prolongamento) e conquistou no campo o direito de defrontar o Hull City, em Wembley, no próximo sábado.

Só que pode não ser o Southampton a jogar pelo acesso aos milhões da Premier League – e o jogo pode até nem ser neste sábado. Nesta terça-feira, a Comissão Disciplinar Independente da English Football League (EFL) vai analisar as provas e ouvir os envolvidos neste caso a que os ingleses chamam “Spygate” antes de tomar a decisão sobre se mantém o Southampton na final do “play-off”, ou se vai dar o lugar ao Middlesbrough, que decidiu não entrar de férias após o segundo jogo – o “Boro” continua a trabalhar, tendo em vista o jogo de sábado em Wembley, na eventualidade de a decisão lhe ser favorável.

Um detalhe importante nesta história é que o Middlesbrough não será ouvido pela comissão da EFL, por não ser “parte interessada”. Não foi o clube que apresentou queixa, mas a EFL que avançou para a investigação depois do caso ser tornado público, a 7 de Maio, dois dias antes do jogo da primeira mão. E isto quer dizer que o “Boro” não poderá recorrer da decisão da comissão independente – só a própria EFL ou o Southampton, que vai ser ouvido na audição, é que poderão recorrer.

Há vários cenários em cima da mesa, mas não há um precedente que permita prever qual será a decisão. A EFL abriu o procedimento contra os “saints”, acusando-os de violarem os regulamentos 3.4 (“boa-fé entre os clubes”) e 127 (“proibido observar ou tentar observar os treinos do outro clube 72 horas antes do jogo entre os dois”). O melhor cenário para o Southampton será o de ser multado, tal como aconteceu com o Leeds em 2019 – a equipa, então treinada por Marcelo Bielsa, teve de pagar 200 mil libras por ter espiado treinos do Derby County, sendo que isso aconteceu durante a época regular, e foi este caso que motivou a introdução da regra 127.

Filmar atrás da árvore e mudar de roupa

Se o castigo for apenas este, nada que o Southampton não se importe de pagar, já que está em causa o regresso à Premier League – quem o conseguir, recebe logo 110 milhões de libras. Mas também pode haver dedução de pontos, que pode ser aplicada com efeitos imediatos – a imprensa inglesa diz que o Wrexham, que falhou o acesso ao “play-off” na última jornada do Championship, está atento – ou só na próxima época – e, neste caso, o Southampton começaria a temporada, no Championship, ou na Premier League, com pontos negativos.

Também pode, simplesmente, acontecer uma troca de clubes na final de Wembley: em vez do Southampton, o Middlesbrough, que já não está na Premier League desde 2017. Seja qual for, há urgência na tomada da decisão, já que o jogo decisivo está marcado para este sábado e para o qual já há um apurado, o Hull, que eliminou o Millwall nas meias-finais.

O caso foi denunciado no próprio dia em que aconteceu. Durante um treino, que estava a acontecer num campo de golfe/resort propriedade do dono do Middlesbrough, elementos da equipa técnica repararam num homem escondido atrás de uma árvore a filmar a sessão. Quando o abordaram, ele não se identificou, apagou algumas fotos e vídeos do telemóvel e fugiu para a casa de banho do campo de golfe, onde mudou de roupa, antes de abandonar o complexo.

O “Boro” denunciou o caso, o Southampton disse que ia proceder a uma investigação interna e, pouco dias depois, o jornal “Daily Mail” publicou uma foto do “espião” atrás de uma árvore, identificando-o como William Salt, um estagiário que faz parte da equipa técnica de Tonda Eckert, treinador do Southampton. Segundo o jornal britânico, Salt terá estacionado o carro fora do complexo e andou algumas centenas de metros até se posicionar atrás de uma árvore – e terá usado também o próprio cartão de crédito para comprar um café no clube de golfe.

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