Em Lisboa, Branca Lescher lança livro sobre a sexualidade de uma mulher madura

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Uma mulher madura que fala sobre sexo com muita liberdade. Esse é o fio condutor de Notas de Anita (editora Urutau), primeiro romance da escritora, poeta e compositora paulista Branca Lescher, que será lançado na sexta-feira (22/05), às 18h30, na Livraria Snob, em Lisboa. Segundo a autora de 62 anos, a obra, que foi publicada ano passado no Brasil, é o resultado de seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em pós-graduação sobre Escritores de Ficção, no Instituto Vera Cruz, em São Paulo.

“É a história de uma mulher madura, que tem uma situação financeira privilegiada e que gosta muito de sexo. E ela fala disso com muita liberdade, inclusive sobre seus amantes”, descreve Branca.

Paulistana e judia como a personagem do livro, Branca admite que a sua própria história serviu de inspiração para Notas de Anita, que tem um capítulo polêmico sobre o despertar da sua sexualidade.

“No primeiro capítulo, ela conta que foi abusada pelo terceiro marido da avó quando tinha 9 anos. Ele pegou no peito dela. Mas esse abuso despertou a sua sexualidade. E, como a Paula Novais (escritora mineira) fala na ‘orelha’ do livro, ela não sente autocomiseração. A Anita fala que foi horrível, mas assume que toda vez que tem uma relação, acaba lembrando aquele toque quente no corpo dela”, explica Branca.

E ela acrescenta. “Só tive esse insight depois de escrever o livro. Eu acho que a literatura tem isso também, ela ajuda o nosso inconsciente a conversar com a gente de uma maneira mais profunda, de mostrar coisas que a gente talvez não tenha conseguido ver antes”, afirma.

Ainda na noite de autógrafos, Carolina Machado, linguista da Universidade de Lisboa, fará a apresentação da obra e, depois, conversará com a escritora sobre livro, que já tem o seu segundo volume pronto.

“É uma trilogia”, avisa Branca, que dá mais detalhes sobre a personagem. Anita se diverte com o sexo sem nenhum julgamento moral. Sabe quando a Annie Ernaux (escritora francesa, Nobel de Literatura de 2022) fala que não sente culpa? A Anita transa com um cara bem mais jovem e não sente culpa”, esclarece.

Paixão por Fernando Pessoa

Advogada, mestre em filosofia do direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Branca é pós-graduada em Canção Popular pela Faculdade Santa Marcelina, também em São Paulo. Com dois discos lançados, Branca (2016) e Eu Não Existo (2019), ela já se apresentou em Portugal algumas vezes, como em um evento no Museu Internacional da Mulher, em 2022, interpretando clássicos da bossa nova.

“Eu sempre me senti uma artista, mas foi algo que ficou de lado durante muitos anos. Quando entrei para a faculdade, entretanto, eu comecei a cantar, a fazer umas apresentações pequenas, a ter aulas de canto. Aquilo foi crescendo e fui ser especialista em canção popular na Santa Marcelina”, diz.

Desde 2013 dedicando-se também à literatura, o que pesa mais, atualmente, na sua trajetória? “Desde a pandemia, eu acho que é a literatura. Eu ia fazer um show, em 2020, em São Paulo, mas veio a pandemia e tiveram que cancelar tudo. Nesse período, eu comecei a me dedicar mais a oficinas de escrita criativa”, conta Branca, que é leitora voraz de Fernando Pessoa (1888-1935).

“Eu tinha 20 e poucos anos quando fiz um curso sobre ele. E fiquei completamente apaixonada. Eu costumava ler muito com a minha mãe, mas acho que a minha paixão pela literatura começou mesmo com Fernando Pessoa”, assinala.

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