Os tempos não vão bons para quem tem fé na racionalidade. A crença iluminista no progresso de que a razão seria o propulsor — à semelhança de um mecanismo que funcionasse em moto-perpétuo, alimentando-se a si próprio — parece ter sido, como a morte anunciada de Mark Twain, manifestamente exagerada. Mais nietzschianos do que kantianos, no confronto imaginário ou real entre Tolstói e Dostoiévski – “O Deus de Tolstói está maravilhosamente em desacordo com o Deus de Dostoiévski”, in Tolstói ou Dostoiévski, George Steiner, Relógio D’Água, 2015 —, o segundo parece estar a ganhar a corrida.
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