Morreu Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food

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Carlo Petrini, o fundador italiano do movimento internacional Slow Food, que revolucionou a forma de pensar a nível mundial sobre a produção e o consumo alimentar, morreu aos 76 anos, informou a organização. “Ele deu vida a um movimento global enraizado nos valores de alimentos bons, limpos e justos para todos”, afirmou o Slow Food num comunicado.

Petrini morreu na quinta-feira na sua cidade natal, Bra, na região do Piemonte, no Noroeste da Itália, acrescentou a organização, sem revelar a causa da morte. Nos últimos anos, ele tinha revelado que lhe tinha sido diagnosticado cancro da próstata.

Orador e escritor com opiniões firmes, Petrini falava sobre a agricultura e a qualidade alimentar como questões culturais, sociais e políticas.

Ajudou a valorizar os pequenos agricultores, as práticas alimentares tradicionais e a biodiversidade numa altura em que o consumo em massa e a globalização ameaçavam corroê-los.

“A morte de Carlo Petrini deixa um enorme vazio não só no mundo da ciência alimentar e enológica, mas também na sociedade como um todo, e não apenas em Itália”, afirmou o Presidente italiano, Sergio Mattarella.

Carlo Petrini dedicou a sua vida a promover alimentos de qualidade, ingredientes genuínos e produtos locais
SLOW FOOD via REUTERS

Slow food contra fast food

Conhecido como “Carlin” pelos amigos e apoiantes do Slow Food, fundou o movimento de base em 1986, em protesto contra a abertura do primeiro restaurante de fast food do McDonald’s em Itália, perto da famosa Escadaria Espanhola, em Roma.

“Uma vez, num avião, um homem aproximou-se de mim e disse: ‘Sou seu inimigo. Sou responsável por todos os McDonald’s em Itália’”, contou Petrini ao jornal Corriere della Sera em Dezembro. “Respondi que, na verdade, estava grato, porque sem eles não haveria Slow Food.”

O movimento, que enfatizava a qualidade, a sustentabilidade ambiental e condições equitativas para os produtores, cresceu sob a sua liderança, com um pequeno grupo de amigos, para uma rede global internacional em mais de 160 países.

Petrini também fundou a Universidade de Ciências Gastronómicas na cidade de Pollenzo, criou a Arca do Sabor, um catálogo internacional de alimentos em risco de extinção, e a Terra Madre, um fórum global de comunidades alimentares, produtores e chefs.

Amigo do rei Carlos e do Papa Francisco

Carlo Petrini tinha uma ligação muito forte com a sua irmã Chiara, mas nunca constituiu família própria. “Sinto-me parte de uma família maior”, disse ele, quando questionado se tinha arrependimentos por não se ter casado ou por não ter tido filhos.

Petrini era amigo do rei Carlos de Inglaterra, um defensor de longa data da agricultura biológica, e do Papa Francisco (1936-2025), um argentino cuja família de imigrantes italianos também era originária do Piemonte.

O fundador do Slow Food, um agnóstico declarado, admirava a encíclica pró-ambiente Laudato Si de Francisco e enviava ao pontífice um presente de Natal anual de tajarin, uma massa tradicional do Piemonte, fina como uma fita e feita com ovos.

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