Atelier-MuseuJúlio Pomar
Jardim doPríncipe Real
Estaçãodo Rossio
S. Pedro deAlcântara
Praça Luísde Camões
MuseuArqueológicodo Carmo
Rua D. Pedro V
Calçada do Combro
N
100m
Rua do O Século
Rua da Misericórdia
Karater
OficinaMarques
RhamusHair
Casa doComum
Essencial
Locaispróximos
AdegaEtelvina
AdegaEtelvina
A NossaCasa
Acarajéda Carol
Majong
Utopia
Karater
A Merceariado Pai Júlio
A Primaverado Jerónimo
Leitaria
ARCA
OficinaMarques
Alzur
RhamusHair
Casa doComum
Essencial
Rosa DinizATELIER
A Fábrica dosChapéus
Lisbon KebabStation
CAIS DOSODRÉ
BAIXA
BAIRROALTO
MARQUÊSDE POMBAL
O que seria de um bairro sem pessoas? Um lugar mais triste, seguramente. Afinal, são elas que lhe dão vida e, mais do que tudo, futuro. Estas são algumas das pessoas que continuam a acreditar no Bairro Alto e a fazer dele um lugar melhor para se estar, aproveitar e viver.
Joana Pinho
Casa do Comum
Não será exagero escrever que há um antes e um depois no Bairro Alto com a Casa do Comum. É verdade que existiram, e ainda resistem, projectos semelhantes, com identidade bem definida e afirmação política clara, como a Galeria Zé dos Bois. Mas o movimento gerado nos últimos dois anos e meio no número 285 da Rua da Rosa é notório. A Casa do Comum devolveu ao Bairro Alto uma parte do público que há muito deixara de o frequentar e voltou a fazer daquela zona um ponto de encontro entre gerações.
O cenário não estará longe daquele que foi idealizado por José Pinho que, a poucos metros da primeira Ler Devagar, sonhou com um centro cultural independente.
“Acho que ao fim destes dois anos e meio é um projecto altamente consolidado”, afirma Joana Pinho, filha de José Pinho, directora das livrarias Ler Devagar e uma das responsáveis pela Casa do Comum. “Em tão pouco tempo, este espaço tornou-se tão importante para tanta gente.” Conhece as dinâmicas destas ruas desde sempre e nota como a perda de moradores aproximou os poucos que resistem. “De repente, parece que somos tão poucos que já estabelecemos essa ligação de pequena comunidade.”
Quando a Casa do Comum abriu, em Outubro de 2023, Joana não antecipou que tudo acontecesse tão depressa e temeu que os grupos de turistas à procura de bebidas baratas acabassem por atracar ali. “Uma das nossas decisões foi vender bebidas a um preço relativamente acessível. Felizmente, muito devido à programação, nunca atraímos esse público.”
Em três pisos, o espaço acolhe debates, clubes de leitura, lançamentos de livros, sessões de cinema, concertos e DJ sets, além de festivais e ciclos temáticos.
Nem tudo corre, porém, sem obstáculos. Joana fala de dificuldades com licenciamento e de queixas de alguns vizinhos. No início, houve até várias visitas da polícia. Sem dramatizar, admite que talvez isso aconteça por a Casa do Comum ser também um espaço de liberdade e resistência. O sonho passa agora por um plano mais abrangente, que inclua políticas de habitação. “Para haver comunidade também tem que haver pessoas residentes.”
Dica: No piso da livraria da Casa do Comum esconde-se o Museu da Preguiça, uma sala resguardada com duas camas onde é possível fazer uma sesta. Já no bar, há um piano disponível para quem quiser tocar.
José Gonçalves
(e Gezo Marques)
Oficina Marques
É loja, atelier e galeria, um pequeno mundo criado por dois artistas e sócios, José Gonçalves e Gezo Marques, brasileiro de São Paulo a viver em Lisboa há 27 anos. “A galeria é uma sala mais mutante, é a nossa página em branco, onde fazemos exposições com peças maiores só nossas. Temos o nosso mote que é Tusa de Viver, e queremos celebrar a vida”, apresenta José, que nos recebe na Oficina Marques, enquanto trabalha na sua roda de oleiro.
“Usamos muitos materiais, da madeira à cerâmica, e fazemos também alguma assemblage de objectos como nestas redomas de vidro, colagens, etc.”, explica. “Gostamos de descrever o nosso sendo o de contadores de histórias, em que cada material vai complementando esse universo.”
Agrada-lhes objectos em segunda mão, “que têm alguma cicatriz, alguma passagem do tempo que seja visível neles, isso para nós é um exercício de reflexão sobre o que é o objecto e a presença dele ao longo do tempo”. Gostam de “celebrar” essa existência de objectos que, muitas vezes, “têm uma vida mais longa que a própria vida humana”.
Dica: Apesar de terem números de porta diferentes, o edifício onde fica a Oficina Marques é o mesmo que alberga um hub cultural, com a companhia da coreógrafa Clara Andermatt, o atelier do fotógrafo Márcio Vilela, e o Teatro do Bairro da Companhia Teatro do Bairro.
Se é verdade que o Bairro Alto “já foi um espaço mais disruptivo, de criação, de artistas, e muito mais vibrante do que é hoje”, José acredita que há algum espaço para que volte e ser e que a Oficina Marques pode fazer parte dessa mudança, trabalhando “do bairro para o mundo” — entre os trabalhos que têm feito refere uma colaboração com o restaurante Eleven, em Lisboa, e montras para a marca de moda Hermès em Lisboa, Madrid, Barcelona e Marbella. “Fizemos painéis para um hotel nas Caraíbas e ainda recentemente enviámos uma peça grande, um painel de cinco metros, para uma empresa de cosmética nos Estados Unidos.”
Os temas que balizam o universo estético e visual da dupla são “o mar, o mato, a fé, o corpo e Lisboa”. Muitos dos materiais são apanhados nas ruas e levados para o atelier — portadas, portas, madeiras “que eram nobres e demoraram séculos a ser produzidas e depois são facilmente descartadas”. Ao trabalhar esses objectos, há uma história do bairro que renasce de alguma maneira. Lisboa, para José e Gezo, não é “a da sardinha e do souvenir”. Há outra memória da cidade que eles querem preservar.
A conhecer
também
Arca
Quatro amigos russos mudaram-se para Portugal em 2022 e no ano seguinte abriram no Bairro Alto o Arca bistrô e bar, com um ambiente internacional, num espaço pequeno, de decoração sóbria mas acolhedora, entre a madeira e o tom cinza da estrutura que alberga a cozinha. Na sala, a brasileira Raila é uma verdadeira anfitriã, na cozinha quem comanda é o chef Misha Ryazanov, que cria um menu onde encontramos sabores fortes em pratos como o tártaro de vaca com beringela fumada, beringela japonesa com molho de nozes e romã ou bife de cachaço de porco preto com amêijoas e puré de castanha.
Leitaria e Pastelaria Eneri
Apesar do nome, é ao almoço que a Eneri (Irene ao contrário, nome da mulher do fundador) se enche, deixando frequentemente pessoas à porta à espera de mesa. O prato do dia é o grande chamariz, como umas ervilhas com ovos escalfados no dia em que a Fugas por lá passou. A isso junta-se uma ementa fixa de pratos simples e honestos, a preços cada vez mais raros em Lisboa. Ricardo Teixeira é o anfitrião e um resistente, que espera em breve ver a Eneri reconhecida pelo programa municipal Lojas com História.
Alzur
Vânia Galindo e Nuno Noronha conheceram-se na cozinha do Central, em Lima, o restaurante que foi considerado o melhor do mundo em 2023. Ela peruana, ele português. Dali seguiram juntos para o Lasai, no Rio de Janeiro, antes de chegarem ao Vila Joya, no Algarve. No Alzur, aberto em 2023, cruzam essas influências com naturalidade. A carta é curta, criativa e muda com regularidade. Ingredientes menos óbvios, produto da horta e referências ibéricas e sul-americanas convivem numa cozinha em permanente evolução.
Tiago Alves
Adega Etelvina
É difícil encontrar cão mais paciente e de olhar mais meigo do que o Foxy. Aos fins-de-semana, quando a Adega Etelvina está mais agitada, ele fica em casa, mas nos dias mais calmos, Tiago Alves leva-o com ele e o Foxy dormita na sua almofada a um cantinho desta adega que abriu no final do ano passado com a ambição de ser um daqueles espaços de encontro que existiam no Bairro Alto que Tiago guarda na sua memória. (Quem quiser acompanhar as reconfortantes folgas do Foxy, às segundas-feiras, pode fazê-lo no Instagram da Adega, onde ele aparece com “sol no focinho e paz de espírito”).
Dica: A primeira convidada do À Travessa é, no dia 31 de Maio, Natalie Castro (ex-Isco padaria). Os pratos de Natalie (6€ a 8€) serão servidos entre as 12h e as 16h. O evento repete-se uma vez por mês com diferentes convidados. Para o arranque, uma provocação do Tiago: “O que acontece quando se mete uma grande cozinheira em dois metros quadrados?”
Petiscos caseiros preparados pelo proprietário, que foi sócio durante muitos anos da Taberna da Rua das Flores, vinho bom a preços muito honestos, o cuidado de receber quem chega com um copo de água, lisa ou com gás, antes de uma conversa sobre o tipo de vinho que cada um vai preferir — esta é a receita encontrada por Tiago para um espaço que é pequeno mas muito acolhedor, dominado pelo balcão, e com uma mesa charmosa junto à janela.
Esse espírito caseiro — a adega tem o nome da avó do Tiago — conquistou já uma clientela fiel e tornou-se um ponto de encontro em torno da boa comida portuguesa que resiste no meio da oferta de “flat whites e tostas de abacate”, sem saudosismo nem nacionalismo, mas com orgulho num pratinho de favas bem temperadas ou numa boa tiborna.

Agora, passados os meses iniciais, Tiago quer explorar novos encontros e aos domingos ao almoço vai ter chefs amigos a cozinhar. Chamou à ideia À Travessa (a Adega fica na Travessa dos Fiéis de Deus). “O convite foi simples: trazer um prato com memória. Ou dois, se a memória vier com fome.” Para cerca de 30 pessoas, com a comida servida em travessas de inox, “serviço contínuo e copos cheios”, promete, garantindo que “aqui não há menus de degustação com momentos, nem pinças, nem discursos sobre texturas inesperadas. Há balcão. Há vinho. Há pratos pensados para confortar.”
Outra novidade são o Conversa Fiada, “salão etílico mensal onde às vezes haverá tema e outras vezes não”, mas que será sempre um espaço para conversar. É este o espírito da Adega Etelvina, que fez casa no Bairro Alto, onde, diz ainda o Tiago, “as boas ideias, e também as ligeiramente perigosas, costumam nascer ao balcão.”
A conhecer
também
Guram Baghdoshvili
e Pedro Carvalho
Karater
Uma bandeira da Geórgia e outra de Portugal ondulam sobre a porta do restaurante Karater, na Rua Diário de Notícias. A comida que aqui se serve leva-nos até à Geórgia, onde o carismático Guram nasceu. E quem aqui vem não só vai descobrir os sabores desta antiga república soviética do Cáucaso como, se tiver a sorte de conversar com Guram, vai ficar a saber muito da história do país — uma conversa regada a bom vinho georgiano.
Dica: Guram e Pedro estão a preparar a abertura de um novo restaurante em Lisboa. Deverá acontecer depois do Verão, quando as obras do novo espaço estiverem concluídas, e a proposta é uma viagem pelas gastronomias dos países do Cáucaso, Turquemenistão, Cazaquistão, Azerbaijão, Arménia. É estar atento.
Mas este ambiente coexiste, e muito bem, com a memória do que foi a Flor da Branca, a leitaria que aqui existiu desde as primeiras décadas do século XX, onde era “reservado o direito de admissão” e havia “despesa obrigatória” — as frases, pintadas na parede, ficaram lá porque Pedro, que é português, e Guram, que viveu e trabalhou durante vinte anos em Portugal, quiseram respeitar a história, que perdura também nas antigas vitrines, no tecto Arte Nova, na porta com vidro martelado verde e vermelho, no chão de quadrados pretos e brancos.
Na última fase da sua vida como Flor da Branca, a casa “era uma tasca, com um fogãozinho de dois bicos que servia uns cachorros a quem vinha dos bares”. O que Guram faz agora é uma cozinha da Geórgia, fiel à tradição, com toques pessoais, mas “sem modernices”, respeitando a “nobreza” de uma gastronomia que vive de sabores subtis, de ervas, de frutos secos, de legumes.
“Investimos numa obra muito profunda, porque a casa estava fechada há quase vinte anos”, conta o chef georgiano. Reconhece que o bairro está degradado e precisa de um novo fôlego. “Mas o incrível é que percebi que se fazes um conceito diferente, ofereces um serviço bom, uma hospitalidade diferente, até o bairro mais degradado consegue acordar.” Ri-se quando conta que os vizinhos repararam na mudança. “Dizem-me que há muito tempo que não viam gente tão bonita no Bairro Alto.” E conta um pequeno exemplo do que é receber bem: na montra do Karater há sempre velas acesas, a cera a acumular-se em cima de uma garrafa, e o ambiente acolhedor que se consegue assim. Gasta muito dinheiro em velas, sim, mas vale a pena, garante.
A conhecer
também
Mercearia do Pai Júlio
A Mercearia do Pai Júlio começou em 2010 como uma pequena frutaria. Com o tempo, transformou-se numa mercearia e taberna, com mesas onde se servem sobretudo sandes e alguns petiscos simples. Nas prateleiras continua a haver de tudo um pouco, do açúcar ao grão, do leite à fruta. É um negócio pensado para quem vive e trabalha no bairro, mas também para quem por ali passa. Entra-se tanto para fazer compras como para beber um café, pôr a conversa em dia e comer qualquer coisa. Uma ideia antiga de comércio de proximidade que Júlio da Silva se recusa a deixar desaparecer.
Primavera do Jerónimo
Fundada em 1929 vai na sua enésima vida hoje com o turco Okan Benli, um entusiasta incondicional de Portugal, da comida e do vinho portugueses. É com orgulho que mostra, na parede, a fotografia que eterniza o momento em que a famosa cantora de jazz Josephine Baker, de chapéu de abas na cabeça e copo de tinto na mão, jantou numa das mesas do Primavera. Aqui há bitoque, carne de porco à alentejana, arroz de marisco, bacalhau à Brás e mais receitas que Okan for descobrindo, a par das fotografias antigas das tascas lisboetas, que o encantam. Esta é uma casa portuguesa, com certeza.
João Ramos
Rhamus Hair
João Ramos não é discreto. Veste-se bem, tem graça, é extrovertido. Chegou à Rua de O Século em 2021 para abrir o seu primeiro salão de cabeleireiro, o Rhamus Hair, e depressa conquistou a rua. É comum vê-lo de braço no ar a saudar quem passa. “Isto é uma ferramenta também que eu uso”, confidencia. “É marketing.” E solta uma gargalhada. Quem o ouvir, poderá pensar que a lição está estudada, mas o que não lhe falta é espontaneidade.
Quando abriu, na ressaca da pandemia, foi essa simpatia que o ajudou a conquistar clientela. “Tive que criar uma empatia aqui na rua. A cada pessoa que passava eu dizia bom dia, boa tarde ou boa noite e as coisas foram acontecendo”, conta João, visivelmente orgulhoso do caminho percorrido. “Comigo, do Toni & Guy, tinham vindo cinco clientes”, aponta. Hoje, ao contrário daquele início, já nem trabalha sozinho e à morada da Rua de O Século juntou, no ano passado, uma segunda no Saldanha. “Não estava planeado mas surgiu a oportunidade de ficar com um salão que tinha fechado.”
Dica: No Convento dos Cardaes, mesmo do outro lado da estrada, há uma pequena loja com doces, marmeladas, chutneys e biscoitos feitos no próprio convento. As vendas ajudam a financiar a obra social da instituição.
É, ainda assim, no Bairro Alto que passa mais tempo. Ajuda que more bem perto, na Bica, e que goste de sentir que de alguma forma contribui para a vida de bairro. “No Saldanha, é uma zona mais de escritórios e passagem”, explica, não deixando de notar também uma mudança ali na rua que liga a Calçada do Combro à Praça do Príncipe Real. “Eu perdi alguns clientes do início porque foram embora do Bairro”, revela. “Hoje, a maior parte dos meus clientes são estrangeiros. Tenho muitos americanos. Tenho as Ashley, os Rob e os Tom”, ri-se, sem menosprezar quem lhe entra pela porta. João faz questão até de frisar que estes são os novos moradores. “Mas também tenho portugueses, os poucos que ainda estão”, acrescenta.
Natural de Leiria, chegou a Lisboa em 2012 e recorda um Bairro Alto bem diferente, mais degradado, mas também mais unido e feito de rotinas partilhadas. “Sinto saudades da Dona Maria que estava à janela.” Reconhece, porém, que a renovação era necessária. O sonho, idealiza, seria “manter o bairro um pouco nosso” numa combinação de “estrangeiros e tugas”. “Isso é um bairro que está projectado para o futuro.”
André Lança Cordeiro
Essencial
Quando André Lança Cordeiro abriu o Essencial, em 2019, o Bairro Alto já lhe era familiar. Antes disso, tinha estado no Local, o pequeno restaurante na Rua de O Século onde se sentavam apenas dez pessoas à mesma mesa. “Eu acho que na teoria isto é uma boa zona porque tem movimento, mas na prática, o movimento que se torna minimamente interessante é o que acontece durante a tarde, em que estou fechado”, ri-se o chef. “Depois à noite, já não é bem o nosso cliente que circula por aqui.”
Muitas das pessoas que espreitam durante o dia acabam por reservar e regressar à noite. “Mas não temos muitos passantes”, explica André, que ao longo destes sete anos conquistou uma clientela muito própria, local inclusive, e fez do Essencial, com a sua cozinha francesa, um dos restaurantes mais sólidos de Lisboa.
Dica: Se não souber o que pedir no Essencial, comece pelo pâté en croûte — poucos o fazem como André Lança Cordeiro — e termine com o mil-folhas de baunilha com caramelo salgado, dois dos grandes clássicos da casa.
Ao longo dos anos, foi ajustando o restaurante às circunstâncias. Durante muito tempo evitou mexer nos preços e, quando assim achou que tinha de ser, passou a abrir todos os dias. Mais recentemente, deixou cair o menu bistrot, em que o cliente escolhia entrada, prato principal e sobremesa, apostando num formato mais flexível, assente no menu de degustação e numa carta que permite compor a refeição de forma mais livre. “No fundo, é para não ter a conotação de que é caro”, explica. “Já se podem partilhar umas entradas.” O objectivo, resume, é tornar o restaurante “mais acessível, não tão formal”, mesmo que, como faz questão de notar, “nunca tenha havido aqui formalidade nenhuma”.
Mais informal, acredita, será também o caminho do Boubou’s, no Príncipe Real. A saída de Louise Bourrat e a entrada de André Lança Cordeiro surpreenderam o meio, mas correspondiam a uma mudança que o restaurante já ensaiava, afastando-se gradualmente do fine dining mais clássico. O convite partiu de Alexis Bourrat, com quem André mantém uma relação próxima. O chef gere agora o seu tempo entre os dois projectos, embora garanta que o Essencial continuará a ser a sua base. “O Essencial é uma cozinha mais contemporânea, mais de autor, e no Boubou’s é uma cozinha mais baseada em clássicos bistro-franceses.”
A conhecer
também
Rosa Diniz
Produtos de couro, feitos à mão “com os melhores materiais”, e “orgulhosamente produzidos em Portugal”. É o que encontramos na loja/atelier de Rosa Diniz, que podemos ver a exercer o seu ofício na pequena oficina que é, na realidade, o coração deste espaço, onde também se encontram peças de cerâmica, de cortiça, algodão orgânico e lã. “Tudo aqui enquadra-se no meu princípio, que é artesanal e 100% natural, o mais orgânico possível, poucas cores”, explica Rosa, que trocou o mundo do teatro e da dança pelo do artesanato de alta qualidade (marroquinaria fina, totalmente feita à mão) e trabalha para alguns dos restaurantes e hotéis de referência do país.
A Fábrica dos Chapéus
Chapéus há muitos, já se dizia no filme, e, pelos vistos, clientes também os há. A Fábrica dos Chapéus, fundada em 2008, tem boinas e chapéus para homem e senhora dos mais variados modelos. “O Bairro Alto foi uma escolha natural, na altura tinha uma atmosfera de marcas novas a começar. Éramos os mais novos, hoje somos os mais velhos”, diz Luís Barbosa, o proprietário. Mas ficaram e não o lamentam, apesar das crises que já ali viveram: “Quando foi a crise de 2011, isto parecia o faroeste, só faltavam as bolas de pelo a voar pela rua.” Fidelizaram clientes, nacionais e estrangeiros, e acreditam que a loja e os chapéus estão para durar. “Somos uma loja de bairro e é isso que também nos diferencia.”
Lisbon Kebab Station
Naquela que é provavelmente a rua mais frenética do Bairro Alto, a Lisbon Kebab Station não passa despercebida. Os graffiti nas paredes e o ambiente cru reflectem bem o espírito underground do restaurante. No menu, apenas shawarmas. De borrego, de frango piripíri ou de polvo, uma criação de que Ilia Shirokov se orgulha de ter sido pioneiro em Lisboa. Pelo caminho, surgem combinações improváveis, como borrego com romã ou camarão com manga. A preocupação, porém, é sempre a mesma: servir uma comfort food equilibrada. A acompanhar, há cocktails de assinatura.
Relacionados com o Bairro Alto
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com














