Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.
Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.
Perto de celebrar um ano do Matuta, inaugurado em julho passado na Penha de França, em Lisboa, a empresária e “quitandeira” Eduarda Meireles viu-se a, literalmente, apagar um incêndio. Na sexta-feira, 22 de maio, o café, que é uma extensão de Minas Gerais na capital portuguesa, teve 80% do espaço liquidado pelas chamas.
Agora, uma vaquinha está no ar para arrecadar fundos para a operação não parar e ajudar na reconstrução, já que o seguro deve demorar a sair. Por ora, a Matuta vai arrendar a cozinha da associação Penhasco, que ofereceu o espaço para a festa que já estava preparada para o último sábado (23/05) e abriu as portas para a operação para o mês de junho.
Ela conta que houve um primeiro foco de incêndio na madrugada, que foi atendido pelos bombeiros. No entanto, quando tudo parecia sob controle, veio um segundo susto. “Acreditamos que outro curto-circuito tenha deflagrado novo incêndio, desta vez, destrutivo”, lamenta. O segundo pedido de socorro demorou um pouco mais e, nesse ínterim, vizinhos a acudiram com extintores. “Mas foi tudo muito rápido e vimos tudo arder”, lamenta.
Se, por um lado, o incidente foi desesperador, por outro, a solidariedade de vizinhos e frequentadores do espaço trouxeram — e continuam a trazer — alento. “Fiquei emocionada com a mobilização em todas as frentes. Duas horas depois do ocorrido, quando eu ainda tentava digerir tudo que havia acontecido, já tínhamos uma vaquinha criada, com 3 mil euros arrecadados em uma hora”, diz.
Apoio jurídico
O apoio também veio por meio de ajuda jurídica, para resolver a questão do seguro do prédio, e até de um vizinho que passou por problema semelhante há algum tempo. “Ele repassou contatos de engenheiro, eletricista e todo o conhecimento que adquiriu para reerguer o espaço dele. Basicamente, o caminho das pedras”, afirma a empreendedora, com a voz emocionada.
Foi esta pessoa, inclusive, que passou a estimativa do valor estipulado na vaquinha virtual: 16 mil euros. Em outra frente, vários cozinheiros se prontificaram para oferecer suas respectivas cozinhas para o período em que a Matuta ficará em obras, que só poderão começar após a análise dos peritos”, frisa.
Brasileira morando há sete anos em Portugal e conhecida, especialmente, pelo seu pão de queijo, pelos bolos caseiros com café coado na hora — e, é claro, pela hospitalidade —, ela usa a frase de uma amiga para resumir a situação.
“Pode ser ruim, mas não precisa ser pior. Por mais clichê que seja, é o lado bom de ser brasileiro. A nossa felicidade é estrutural. E, como diz Chico Buarque, “a gente sofre o ano inteiro, porque sabe que vai ter carnaval. Então vamos ser otimistas. No meu caso, não tenho outra opção. Tem que dar certo”, enfatiza Eduarda.
Raquel Pimentel
Próximos passos
O evento do último sábado, que já estava programado e com a comida preparada por uma cozinheira parceira, ajudou a quitar as contas do mês. E, neste final de semana, o desafio é atender o público durante o festival Coala, que vai receber alguns nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Zeca Veloso e João Gomes. “Não podemos parar, e vamos dar conta da produção em outro espaço. É um evento fundamental para manter o negócio em pé”, ressalta.
O Matuta é uma homenagem de Eduarda a suas duas avós, Celica e Dalva, que a brindaram com a autêntica comida mineira na infância. “O nome do restaurante carrega a essência e a identidade de quem é do interior e é conhecido pela hospitalidade, que tem um jeito simples e genuíno, sempre com algum quitute, uma xícara de café e tempo para um dedo de prosa”, diz.
O negócio, que surgiu primeiro no universo digital, durante a pandemia, popularizou-se especialmente pelo pão de queijo, encontrado na versão simples — que pode ser servido com uma xícara de café coado na hora — ou recheados. Nessa linha, o preparo ganha status de sanduíche com recheios de sabores bem mineiros, como pernil, linguiça e o mineiríssimo frango com quiabo. Os vegetarianos não são esquecidos: há versões com cogumelo e caprese, e as açucaradas, com doce de leite e goiabada.
No menu, também tem bolos que fazem lembrar um café da tarde na casa da avó, como de milho, fubá e erva-doce, banana com doce de leite e requeijão e goiabada. Muitos destes produtos são preparados, também, por encomenda, ainda sem data certa para a retomada. “Primeiro, vamos entender melhor o espaço onde vamos funcionar em junho (Penhasco). Mas uma coisa é certa: não vamos parar”, garante.
Eduarda lembra que a Matuta foi construída para ser casa, não estereótipo. “E, depois deste episódio, mais do que nunca, me senti em casa: fiz muito pouco. Fui e estou sendo acolhida por pessoas que acreditam no projeto e querem o nosso balcão de volta”, frisa.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com







