Ligação fluvial à Barra e Costa Nova pode “tornar acesso às praias mais confortável”

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No pico do Verão, é difícil chegar às praias da Barra e da Costa Nova, no município de Ílhavo, sem enfrentar filas de trânsito intermináveis e testar todos os limites de paciência para encontrar um lugar para o carro. Localizadas numa estreita língua de areia, estas que são das praias mais concorridas de toda a região Centro há muito que reclamam por soluções de mobilidade. Este ano, garante o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Rui Dias, já vai haver uma alternativa a ser testada: uma ligação fluvial que permite o transporte de passageiros e de algumas bicicletas. A medida merece o aplauso da Ciclaveiro, associação de mobilidade ciclável, no sentido em que contribuir para reduzir a dependência do automóvel.

No caso da travessia para a Costa Nova, e que será feita a partir da chamada zona da “Bruxa”, na Gafanha da Encarnação, o serviço está já muito próximo de poder avançar, atendendo a que já existem cais em ambas a margens – no passado, aquela zona do Canal de Mira da ria de Aveiro já foi servida por uma barca. “Há já um operador, com uma embarcação com capacidade para transportar 16 pessoas e algumas bicicletas em simultâneo, interessado”, anunciou o edil. No caso da praia da Barra, ainda é preciso colocar uma plataforma que permita a atracação e embarque ou desembarque de passageiros do lado da praia. “Conseguimos já encontrar uma plataforma que se pode alugar, até porque isto está ainda no modo experimental e não faz sentido nenhum fazer um investimento muito avultado sem percebermos bem como é que vai resultar”, explica Rui Dias.

Ainda que possam avançar em timings diferentes, ambas as travessias irão funcionar já esta época balnear, segundo garante o presidente da autarquia, e fazem parte de uma estratégia mais alargada para resolver os problemas de mobilidade daquelas praias. “Estamos a trabalhar num conjunto de outras ferramentas que queremos vir a aplicar no futuro, mas não é no futuro da amanhã, nem do próximo mês, nem deste Verão, certamente. Tem a ver com a gestão do tráfego na ponte e na sua distribuição para a Costa Nova e para a Barra”, refere o edil, reconhecendo que o facto de aquelas praias terem uma auto-estrada (A25) até à sua entrada levanta vários desafios. “Queremos criar um corredor dedicado [a transportes públicos] na ponte, mas não é fácil porque a ponte ainda é um troço da auto-estrada. E também não queremos desclassificar a ponte e ficar donos de uma estrutura daquelas, com o peso financeiro que tem na sua manutenção”, argumenta, assegurando que tem de haver “uma estratégia partilhada entre o poder local e o poder central”.

Para já, fica garantida uma alternativa à ponte. “Passa a haver um meio alternativo para chegar às praias, se as pessoas o vão usar em grande escala eu não sei. Vamos testar o modelo, sendo certo que é muito melhor testar modelos alternativos que estar só sentado numa cadeira a reclamar”, sustenta o autarca.

Na opinião da direcção da Ciclaveiro, esta ligação fluvial constituiu “um reforço importante da oferta de transporte público e, ao permitir o transporte de bicicletas, poderá dar uma alternativa real a muitas pessoas que hoje evitam deslocar-se de bicicleta para a Barra e Costa Nova devido ao desconforto e insegurança associados à travessia da ponte da Barra”. “A possibilidade de combinar barco e bicicleta pode tornar o acesso às praias mais confortável, flexível e atractivo, contribuindo para reduzir a dependência do automóvel, sobretudo durante os períodos de maior afluência”, referem os dirigentes da associação que defende que a redução do número de automóveis “é uma estratégia que deveria ser seguida não apenas nas praias, mas de forma mais abrangente em toda a região”.

A par com a activação das travessias de barco, a Ciclaveiro entende que devia ser permitido “o transporte de bicicletas nos autocarros, por exemplo através da instalação de suportes frontais para bicicletas”, “criar e/ou identificar percursos cicláveis seguros, contínuos e bem sinalizados entre Aveiro, Gafanhas, Barra e Costa Nova” e “melhorar os parques de estacionamento para bicicletas, tornando-os mais numerosos, seguros, protegidos e visualmente apelativos, funcionando também como um convite ao uso da bicicleta”.

A associação, que vai andar este domingo a participar numa iniciativa (PedalaRia) que visa identificar desafios, pontos críticos e oportunidades de melhoria nos acessos cicláveis daquelas praias, sugere ainda a criação de bolsas de estacionamento automóvel fora das zonas balneares, articuladas com serviços frequentes, gratuitos e contínuos de transporte colectivo para as praias e alargar a utilização da BUGA ao concelho de Ílhavo, incluindo Barra e Costa Nova. “Faria também sentido discutir restrições mais significativas ao automóvel em períodos de maior pressão, garantindo prioridade a residentes, transportes públicos, veículos de emergência, táxis e TVDE”, propõe.

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