Nvidia e Microsof anunciam uma nova era de PC inteligentes com a plataforma RTX Spark

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Organizar dezenas de ficheiros, preencher folhas de cálculo ou responder a uma cascata de emails pode tornar-se monótono e cansativo. No entanto, a Nvidia e a Microsoft garantem ter um antídoto para estas dores de cabeça.

Num comunicado de imprensa conjunto, as duas tecnológicas anunciaram a plataforma RTX Spark. Na prática, a iniciativa promete transformar a máquina que temos em cima da secretária num assistente diligente e autónomo. Para suportar esta arquitectura de software, a Nvidia revelou ainda uma nova família de processadores centrais. Baptizados de N1 (para portáteis) e N1X (para computadores de secretária), marcam a entrada da empresa num mercado historicamente dominado pela Intel e pela AMD.

Mordomos digitais que não precisam da Internet

Até aqui, a interacção com ferramentas de inteligência artificial passava invariavelmente por um servidor distante. Quando se pedia a um programa para resumir um documento, a informação viajava pela Internet até um centro de dados e regressava ao ecrã. A promessa do RTX Spark é cortar este cordão umbilical, permitindo que os chamados “agentes” operem localmente.

Mas, afinal, o que é um agente? Ao contrário de um parceiro de conversa genérico, um agente é um pequeno programa com capacidade de acção. Imagine que precisa de compilar as despesas de saúde do último ano. Em vez de abrir pastas e procurar recibos, pode simplesmente pedir ao computador para o fazer. O agente procura a informação, cruza os dados e preenche o documento, sem precisar da sua supervisão constante.

A grande vantagem de executar estas tarefas directamente no computador é a privacidade. Ao processar dados complexos de forma local, os seus documentos pessoais ou bancários nunca abandonam o disco rígido. Segundo as empresas, o objectivo desta evolução técnica é garantir a máxima segurança. Jensen Huang, director-executivo da Nvidia, assegurou no comunicado que a aliança inaugurará uma nova era na qual a máquina antecipa as nossas necessidades. “A informação privada continua onde deve estar: nas mãos do utilizador”, sublinhou o responsável.

O motor da mudança

Para que o Windows consiga gerir este volume de raciocínios sem que o sistema bloqueie ou a ventoinha pareça um avião a levantar voo, a Nvidia teve de redesenhar o “cérebro” dos computadores. É aqui que entram os novos processadores N1 e N1X, desenhados para conjugar o processamento tradicional com o já conhecido poder gráfico da marca. Se, no passado, as placas gráficas serviam quase em exclusivo para garantir imagens fluidas nos videojogos, agora esse músculo é recrutado para tomar decisões informáticas complexas.

A Microsoft adaptou o seu sistema operativo para tirar partido destes processadores, garantindo, assegura a tecnológica, que as ferramentas comuniquem fluidamente. Satya Nadella, presidente executivo da Microsoft, referiu que a integração elimina o atrito entre o que queremos e o que a máquina faz. “O Windows sempre foi o palco da produtividade global. Ao integrarmos o RTX Spark no núcleo do sistema, damos a cada pessoa um parceiro incansável”, notou o responsável no mesmo documento.

Para quem usa um portátil diariamente, a verdadeira medida de sucesso não estará nos detalhes técnicos dos chips, mas sim no tempo que sobra ao final do dia. Se o RTX Spark cumprir a sua premissa quando os primeiros equipamentos chegarem ao mercado — o que se espera que aconteça no final deste ano —, poderá representar uma redução drástica do trabalho burocrático.

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