Governo de Merz responsabilizado por “embaraço” no Conselho de Segurança da ONU

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A Alemanha justificou o falhanço da sua candidatura a um lugar como membro não-permanente do Conselho de Segurança da ONU com as suas posições relativamente à invasão russa da Ucrânia e ao conflito no Médio Oriente. Oposição ao Governo de Friedrich Merz fala em “derrota embaraçosa”.

Os dirigentes alemães não esconderam o desapontamento após a votação que elegeu Portugal, com 134 votos, e a Áustria, com 131, para dois lugares no Conselho de Segurança das Nações Unidas – a candidatura alemã ficou-se por 104 votos favoráveis. Os três países concorriam pelas duas vagas destinadas à Europa Ocidental para um mandato de dois anos como membro sem direito a veto. Foram ainda eleitos o Zimbabwe e Trinidad e Tobago para as restantes vagas.

A “derrota amarga” foi justificada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, como um preço a pagar pelo apoio de Berlim à Ucrânia, algo que não agrada à Rússia e que, por isso, terá motivado uma campanha do Kremlin junto dos membros da ONU para boicotarem a candidatura.

“Há o nosso apoio firme à Ucrânia, e o facto é que a Rússia não quer uma voz como a nossa no Conselho de Segurança”, afirmou Wadephul. “Sempre adoptámos uma posição clara em certos assuntos, e estas são posições que nem todos os Estados-membros partilham”, acrescentou, citando ainda a “responsabilidade especial” assumida pela Alemanha relativamente a Israel como outro factor que terá levado à perda de votos.

De forma menos crítica, o chanceler Friedrich Merz lamentou a perda da oportunidade e congratulou Portugal e Áustria por terem conseguido o mandato. “Este resultado não altera as tarefas que temos nas Nações Unidas”, afirmou o chefe do Governo, garantindo que “a Alemanha continua a ser um pilar fiável do sistema multilateral”.

O Governo alemão tinha investido numa campanha agressiva para tentar captar apoio junto dos membros da Assembleia Geral da ONU, levada a cabo pessoalmente por Wadephul, que se reuniu pessoalmente com 80 ministros e diplomatas, explica o Politico Europe.

Internamente, o falhanço da oportunidade de se sentar no órgão que emite as resoluções vinculativas da ONU representa uma derrota para Merz, que se encontra já politicamente fragilizado. A oposição reagiu rapidamente apontando responsabilidades directas ao chanceler pela derrota.

“Embora Merz quisesse trazer o nosso país ‘de volta à cena internacional’ no início do seu mandato como chanceler, a Alemanha continua agora sem um lugar no Conselho de Segurança da ONU”, afirmou a co-líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), Alice Weidel. O partido de direita radical tem sido acusado de ter ligações próximas ao regime russo e ainda esta semana uma delegação de deputados deslocou-se a São Petersburgo para participar num fórum económico organizado pelo Kremlin.

As críticas também vieram dos sociais-democratas, parceiros de Governo da CDU de Merz. O porta-voz para assuntos internacionais do SPD Adis Ahmetovic disse que o resultado deve ser encarado como “um indicador de como [a Alemanha] é vista a nível internacional”.

Falando de uma “derrota embaraçosa”, a vice-presidente da bancada parlamentar dos Verdes Agnieszka Brugger acusou o Governo de ter feito “muito pouco para sustentar esta candidatura com ideias modernas”.

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