Austrália-Turquia, um duelo de estilos

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Austrália contra Turquia é um duelo que nunca aconteceu em Mundiais de futebol por uma razão muito simples: nunca estiveram ao mesmo tempo no torneio. Mas não deixa de ser curioso que, dos dois países, aquele que tem menos tradição no futebol e que liga mais a outras coisas (como o râguebi ou o “australian rules”) é o que tem mais presenças (sétima participação), enquanto os turcos, para quem o futebol é um assunto muito sério, apenas estão no Mundial pela terceira vez. A Austrália já não falha um Mundial desde 2006, a Turquia já não ia a um Mundial desde 2002, e o duelo que nunca aconteceu vai acontecer na madrugada de sábado para domingo (5h00, SPTV5) em Vancouver.

O que esperar de um jogo que nunca aconteceu? Uma diferença grande de estilos imposta pelos seus treinadores e que faz sentido com o passado de ambos enquanto jogadores. Tony Popovic, o seleccionador australiano, foi um defesa-central alto (1,93m de altura) e duro, com carreira feita entre o seu país, Japão (Sanfrecce Hiroshima) e Crystal Palace. Vincenzo Montella, seleccionador da Turquia, foi um avançado polivalente (não muito alto, 1,71m) e goleador com carreira longa em Itália (Génova, Sampdoria e Roma). Com Popovic, a Austrália é uma equipa disciplinada e preparada para defender. Com Montella, a Turquia é uma equipa preparada para atacar e dominar.

“Um dia, a Austrália vai chegar longe no Mundial”, dizia há uns meses o técnico australiano que já foi descrito por um dos seus adjuntos como “parte máquina”. “E por que não com este grupo? Porque é que temos de esperar. Porque é que temos de ter limites. Como uma nação do futebol, somos duros, resilientes, difíceis de bater e difíceis de defrontar”, resume Popovic, que chegou aos “socceroos” a meio das qualificações asiáticas, ele que teve uma carreira vitoriosa como treinador em vários clubes australianos, para além de uma breve passagem pelo futebol turco.

Nesta selecção australiana, que joga na confederação asiática porque tinha falta de concorrência na Oceânia, não há muitos jogadores com nome feito no futebol internacional, mas há uma boa dose de veteranos para dar estrutura, como o guarda-redes do Levante Matt Ryan, ou o médio do St. Pauli Jackson Irvine, e algumas boas promessas, como o lateral Jordan Bos, do Feyenoord, ou o avançado do Watford Nestory Irankunda, que nasceu num campo de refugiados da Tanzânia. O objectivo, esse, será o de passar a fase de grupos (que já conseguiu por duas vezes) e ganhar uma eliminatória (que nunca aconteceu).

A Turquia, que passou os últimos 24 anos a ver o Mundial à distância, terá objectivos bem mais ambiciosos, suportados por uma geração que, internamente, é considerada a melhor de sempre. E a última, que ficou à beira da final no Mundial 2002, já era bem boa – era a equipa de Sukur, Emre, Reçber e Alpay, entre outros. A Turquia de 2026 tem Arda Güler, que tem feito estragos no Real Madrid com o seu prodigioso pé esquerdo, e Kenan Yildiz, o robusto médio-ofensivo da Juventus. Ambos têm apenas 21 anos.

A Turquia não é apenas Güler e Yildiz. Tem Çalhanoglu a liderar, com o ex-Benfica Kokçu ao lado, mais outra ex-“águia” Akturkoglu a dar verticalidade ao ataque, e, na falta de uma referência ofensiva no ataque (como era Sukur), pode bem avançar o “dragão” Denis Gül. E é por isto que os turcos são uma espécie de “favorito secreto” para muita gente – são-no, sem favor, num grupo onde estão também EUA e Paraguai.

Güler, o jovem artista do Real Madrid, serve bem como porta-voz da ambição turca neste Mundial. “Da última vez que estivemos no Mundial, eu ainda não era nascido. Ouvimos falar dele pelos nossos pais e irmãos. Queremos mostrar que não viemos aqui para nada”, disse o jovem avançado do Real, onde está habituado à alta pressão dos grandes jogos em grandes palcos. “Não temos medo de ninguém, mas primeiro queremos passar a fase de grupos. Depois, vemos, jogo a jogo. Respeitamos todos os adversários, mas posso dizer que o nome do adversário não nos interessa.”

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