Sindicato diz que falha informática no SNS continua a provocar constrangimentos

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A falha no sistema informático do Serviço Nacional de Saúde (SNS) verificada na sexta-feira de manhã continua neste sábado a provocar constrangimentos na prescrição de receitas e no acesso a consultas, disse à Lusa fonte sindical.

“Ainda há locais onde não é possível fazer a passagem de receitas, a prescrição de forma normal. Também nas farmácias ainda há relatos de que os doentes não conseguem ir à farmácia e aviar a sua receita normalmente”, disse à Lusa Maria João Tiago, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Segundo a dirigente sindical, o problema está a afectar serviços de saúde no Alentejo e na Grande Lisboa. No entanto, fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) disse à Lusa que, em termos gerais, o sistema está a funcionar normalmente.

“No caso da Unidade Local de Saúde do Alentejo Central, trata-se de um problema local e, no caso de Loures, a situação está normalizada. Na região da Grande Lisboa também não identificámos qualquer situação”, referiu a mesma fonte.

Porém, o sindicato relatou que o sistema ainda está em baixo em alguns locais, prejudicando os utentes no acesso a consultas e compra de medicamentos, aumentando também a hipótese de erros por parte dos médicos que não conseguem ter acesso ao historial clínico do doente.

“Quando se vai à farmácia, cada medicamento tem uma percentagem de comparticipação. Não tendo este sistema todo operacional, na farmácia ficam na dúvida qual é a comparticipação do medicamento. E, muitas vezes, o doente tem que pagar um medicamento por inteiro para o conseguir trazer”, explicou Maria João Tiago.

Por outro lado, prosseguiu, também não está ainda normalizada na totalidade a plataforma onde está disponível o historial global do doente, afectando não só as instituições do SNS como as privadas, nomeadamente na emissão de baixas.

“O risco que acarreta não termos o historial do doente é muito grande. A maior parte dos doentes não sabe a medicação que faz, não se lembra das alergias, o que faz com que o erro médico possa drasticamente aumentar”, considerou Maria João Tiago.

A sindicalista classificou a situação como “gravíssima”, por afectar desde os cuidados de saúde primários a hospitais e até o Sistema de Informação dos Certificados de Óbito, pelo que defende a existência de formas para salvaguardar o sistema.

O Serviço de Urgência Polivalente do hospital de Évora está neste sábado a funcionar “com constrangimentos decorrentes de falhas nos sistemas informáticos”, divulgou a Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC).

Em comunicado enviado à agência Lusa, a ULSAC explicou que esta situação levou a que fossem “activados os planos de contingência definidos para este tipo de ocorrência”, para “assegurar a continuidade da prestação de cuidados e a minimizar o impacto no funcionamento do serviço”.

“No entanto, estes constrangimentos poderão reflectir-se no prolongamento dos tempos de espera, pelo que se apela à compreensão e colaboração dos utentes”, acrescentou.

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