Na Ásia Central, a Sul do gigantesco Cazaquistão, e entre o Turquemenistão, a Quirguízia, o Tajiquistão e o Afeganistão, encontramos o Uzbequistão, que, com os seus 37 milhões de habitantes, é um dos países da antiga Rota da Seda, atravessada pelos comerciantes que viajavam entre a China e o Mediterrâneo transportando os seus produtos antes de as rotas marítimas terem substituído os caminhos terrestres.
É no Uzbequistão que fica Samarcanda, provavelmente a mais mítica cidade da Rota da Seda, com a sua praça central, o Registão (que significa lugar arenoso), ladeada por três magníficas madrassas (escolas religiosas islâmicas) dos séculos XV e XVII, com as fachadas decoradas com azulejos, mosaicos e majólica (desenhos formados com pedaços de azulejo), Património Mundial da UNESCO.
Duas outras cidades históricas e imperdíveis para quem visita o Uzbequistão são Bucara e Khiva. Na primeira, um dos locais mais impressionantes é o Minarete Kalon (ou Kalyan) da mesquita Po-i-Kalyan, do século XII, que, com 47 metros de altura (e dez metros de fundações), foi a primeira construção a ser decorada com o trabalho de azulejaria azul que depois se tornaria famoso em toda a região e, pela sua beleza, foi poupado da destruição pelo implacável conquistador mongol Genghis Khan. No centro histórico fica também a antiga residência dos emires de Bucara, a cidadela conhecida como Ark, num local ocupado desde o século VII e bombardeado pelo Exército Vermelho em 1920, mas que continua a poder ser visitado.
Ana Isabel Mineiro
Em Khiva, as belíssimas muralhas da cidade medieval Ichan Kala são igualmente visita obrigatória. Datadas do século XVIII (crê-se que as fundações são do século X), foram destruídas pelos persas e depois reconstruídas, e prolongam-se por 2,5 quilómetros, com dez metros de altura. Dentro das muralhas encontram-se muitos pequenos museus, mesquitas e madrassas, que contam a história deste local, o primeiro do Uzbequistão a ser declarado pela UNESCO como Património da Humanidade.
“Khiva é imperdível, dentro e fora de muralhas”, escreveu a jornalista Renata Monteiro numa reportagem publicada na Fugas em 2024. “O último lugar de repouso antes de as caravanas de camelos se abastecerem e atravessarem o deserto para o Irão oferece aos visitantes de hoje o descanso igualmente bem-vindo de pousar mapas e telemóveis, usando o minarete Islam Khoja como estrela polar e as quatro portas da cidade interior como pontos cardeais.”
Ana Isabel Mineiro
Tashkent, a capital uzbeque, foi parcialmente destruída por um forte terramoto no dia 25 de Abril de 1966 e, conta Luís Octávio Costa num texto publicado na Fugas sobre a sua viagem pela Ásia Central, a tentação é vê-la como “um interposto para chegar a outro lugar”. Um pouco mais de paciência e essa ideia desvanece-se porque Tashkent — cuja linha de metro é “um autêntico museu” — revela-se uma cidade “fascinante e cheia de contradições” e “o lugar onde tudo no Uzbequistão acontece, onde estão as instituições de poder e também os mercados mais fervilhantes, um vai e vem de agricultores com roupa tradicional e carrinhos pejados de produtos saídos da terra”. Uma visita ao país deve, por isso, incluí-la também.
Durante grande parte da sua história, o território que é hoje o Uzbequistão foi sendo conquistado e ocupado por diferentes povos: nos séculos VII e VIII, a conquista árabe levou à conversão da população ao Islão, seguiram-se os persas, nos séculos IX e X, mais tarde, nos séculos XIII e XIV, chegou Genghis Khan e a região passou a fazer parte do império mongol. Samarcanda foi, nos séculos XIV e XV, capital do império Timúrida, fundado pelo turco-mongol Amir Timur, mais conhecido como Tamerlão.
No século XIX, o actual Uzbequistão passou a estar sob controlo da Rússia, tornando-se depois uma das repúblicas soviéticas, e recuperando a independência apenas em 1991 com o desaparecimento da União Soviética. Islam Karimov, que era Presidente desde 1989, manteve-se no cargo até à sua morte em 2016 e só depois disso é que o país começou a mostrar vontade de uma maior abertura ao exterior, com o actual Presidente Shavkat Mirziyoyev, actualmente no seu terceiro mandato. A economia, profundamente centralizada e muito baseada nas exportações de algodão (cuja produção contribuiu para secar o Mar Aral, que no passado foi o quarto maior lago do mundo), gás e ouro, beneficia agora também do turismo, que tem vindo a crescer significativamente.
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