A inflação do Mundial: bilhetes caros e quinze minutos de comboio por 127 euros. FIFA defende-se

0
5

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, procurou justificar os preços dos bilhetes para os jogos do Mundial, insistindo que o organismo que governa o futebol mundial é uma organização sem fins lucrativos que só tem oportunidade de gerar receitas de quatro em quatro anos. O responsável afirmou ainda que está a tentar encontrar o “equilíbrio certo” para distribuir fundos entre os 211 países membros.

“O principal, e até agora o único, evento gerador de receitas para a FIFA é o Mundial”, disse Infantino, citado pelo The Athletic. “O Mundial realiza-se durante um mês a cada quatro anos, portanto geramos dinheiro num mês. Nos 47 meses até ao Mundial seguinte, gastamos esse dinheiro”, afirmou o responsável máximo da FIFA.

Desde que foi disponibilizada a primeira tranche de bilhetes, a FIFA aumentou os custos para os adeptos com o modelo de preço dinâmico. O sistema faz disparar os preços quando há mais procura do que oferta. A falta de ingressos a preços razoáveis e os valores astronómicos para certos jogos originaram vários protestos dos adeptos, mas Infantino compara o Mundial a eventos de futebol americano ou concertos, espectáculos em que também se regista o modelo dinâmico de preços agora utilizado pela FIFA.

A FIFA respondeu à maré de contestação gerada pelo preço dos bilhetes para o Mundial 2026 com a introdução de uma nova categoria de ingressos, mais acessível e destinada aos “adeptos mais leais”. São bilhetes que custam 60 dólares (51,2 euros), comercializados através de cada uma das federações dos países participantes e que visam alargar o acesso aos jogos. Acontece que esse alargamento é residual, já que este tipo de ingresso representa menos de 2% do total de cada estádio.

Transportes caros

Além dos bilhetes, somam-se agora queixas sobre o preço dos transportes de e para os estádios. Uma viagem de comboio de Nova Iorque até ao Metlife Stadium, estádio em Nova Jérsia que acolherá oito jogos da competição, irá custar 150 dólares (127 euros), um valor mais do que dez vezes superior à tarifa habitual para a viagem.

O comboio será obrigatoriamente o transporte utilizado por muitos adeptos, visto que os lugares de estacionamento serão limitados. O preço foi anunciado pela NJ Transit, entidade responsável pela gestão dos transportes públicos de Nova Jérsia. A viagem dura cerca de 15 minutos a partir de Nova Iorque. Há ainda um número limitado de lugares em autocarros de ligação – a partir de 80 dólares – ou um número ainda mais limitado de lugares de estacionamento, com valores a partir dos 224 dólares.

As aplicações de transportes como a Uber serão uma opção complementar, mas podem facilmente atingir valores semelhantes ou superiores aos dos transportes públicos, novamente devido ao princípio do preço dinâmico. Do lado da NJ Transit, os responsáveis dizem não ser justo que os passageiros regulares tenham de subsidiar os custos adicionais que a operação para o Mundial implicará, negando que o preço elevado esteja relacionado com a procura do lucro.

A competição arranca a 11 de Junho e termina a 19 de Julho. É a primeira edição com 48 equipas e repartida por três países. Os jogos disputam-se nos Estados Unidos, México e Canadá.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com