Morreu a poetisa são-tomense, Conceição Lima. Esta notícia devolveu-me a um título seu que sempre me pareceu extraordinário: O útero da casa. Não me pareceu extraordinário apenas pela beleza poética da formulação, mas pela profundidade moral que nela cabe. A casa é, em princípio, o lugar da pertença, da intimidade, do reconhecimento e do abrigo. O útero é origem, possibilidade de vida, promessa de continuidade, enfim, onde tudo começa. Juntas, as duas imagens sugerem reconciliação entre identidade e mundo. Contudo, como tantas boas imagens literárias, esta também inquieta. Nem toda a casa acolhe. Nem toda a origem consola. Há pertenças que ferem.
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