Ancestral remada viking chega ao parlamento norueguês

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Após quase três décadas de ausência, a Noruega voltou à ribalta para disputar o seu quarto Campeonato do Mundo, segundo nos EUA, onde os adeptos encarnam os antepassados vikings, apoiando a equipa de Aursnes, Schjelderup, ​Odegaard e Haaland ao ritmo entoado nos “Langskip” ou “Drakkar”, navios de guerra usados na incursões e transporte de tropas há mais de mil anos.

Em Massachusetts, onde a Noruega – uma das principais responsáveis por nova ausência da “squadra azzurra” numa fase final de um Mundial – bateu, na estreia, a congénere iraquiana (4-1) para assumir a liderança do Grupo I (que partilha com a França), ecoa o grito “remem, remem, remem”, com os adeptos escandinavos a imitarem os remadores vikings numa coreografia determinada pelo ribombar dos tambores.

Uma “tradição” que pode ser presenciada nos estádios, nas ruas, nas praças, nos transportes públicos, em escadas rolantes e nos centros comerciais de uma região que os vikings exploraram no século IX.

Isto, de acordo com as “sagas nórdicas”, contos históricos que relatam a incursão (apoiada cientificamente) do explorador viking Leif Eriksson à Terra Nova, no Canadá, e à costa nordeste dos Estados Unidos, por volta de 1021 d.C., 500 anos antes de Cristóvão Colombo ter “descoberto” a América.

Agora, a poucos dias do confronto que pode selar a passagem à fase seguinte, com o Senegal, no MetLife, em Nova Jérsia, o parlamento norueguês associou-se à festa, numa manifestação inédita dos deputados. Tudo em pleno “Storting”, em Oslo, na casa da democracia, onde o presidente do parlamento, Masud Gharahkhani, teve a ideia que está a tornar-se viral nas redes sociais.

Curiosamente, a proposta de Masud Gharahkhani, político do partido do governo norueguês, que nasceu há 43 anos em Teerão, no Irão, e preside ao parlamento desde 2021, não colheu o apoio da extrema-direita, o que não beliscou minimamente o espectáculo proporcionado pela maioria dos 169 representantes do povo norueguês.

“A presidência do parlamento crê que devemos enviar uma saudação aos nossos jogadores, a partir do coração da democracia. Não há melhor forma de o fazer do que a remar”, declarou Masud Gharahkhani.

A remada parlamentar foi breve e curta, merecendo críticas de Erlend Wiborg, representante do Partido do Progresso, segunda força política da Noruega, que considera ser mais apropriado “apoiar a selecção nas bancadas, bares ou no sofá”.

Apesar do reparo, os restantes parlamentares revelaram entusiasmo, numa demonstração de unidade que transcendeu as divisões partidárias para celebrar uma certa ancestralidade que os novos vikings recuperaram para dar força e vida a uma nova era do futebol norueguês.

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