Associação diz que remoção de ciclovia e cancelamento de trotinetes retira Gaia do século XXI

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A MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta considerou nesta quinta-feira que Gaia “não quer ser uma cidade do século XXI”, ao remover uma ciclovia em meio urbano e cancelar concursos de trotinetes para uso público.

“Gaia está realmente entrando num retrocesso total. Ou seja, não é mais e não quer ser uma cidade do século XXI”, disse à Lusa Ana Guerra Rosbach, dirigente da associação, a propósito da conclusão da remoção da ciclovia da Avenida da República e cancelamento de um concurso para disponibilização de trotinetes eléctricas.

A remoção dos pinos que delimitavam a ciclovia foi concluída esta semana, altura em que também foi anunciado pelo vice-presidente da autarquia, Firmino Pereira, o fim de um concurso para disponibilização de trotinetes ao público alegando, ao Jornal de Notícias, “perigo” após uma morte de uma jovem no Porto num acidente nesse meio de transporte.

Ao JN, o responsável disse que “esta decisão nada tem contra a mobilidade sustentável” e que a autarquia está “sensível a abrir concurso, no futuro, para a utilização de bicicletas”.

Porém, para a MUBi , “parece que o executivo de Gaia parece estar a declarar uma verdadeira guerra à mobilidade activa”, apontando que “há um discurso de mobilidade sustentável, mas é preciso criar condições reais para que as pessoas possam caminhar, pedalar ou usar alternativas ao carro com segurança”.

Na Avenida da República, segundo dados facultados pela Câmara de Gaia à MUBi e a que a Lusa teve acesso, entre 2019 e 2024, as colisões, atropelamentos ou despistes envolveram 176 veículos, a maioria dos quais (116) com carros, mais 31 com motos e oito com pesados.

Há ainda registo de 21 ocorrências com outros veículos não especificados, onde se poderão incluir bicicletas e trotinetes, bem como o próprio Metro do Porto, cuja via tem vários atravessamentos ao longo da avenida.

Para Ana Guerra Rosbach, a cidade dos 15 minutos, que estava no programa eleitoral de Luís Filipe Menezes (PSD/CDS-PP/IL), “é uma cidade onde as pessoas conseguem aceder ao essencial sem depender do automóvel, mas quando se retiram as condições para as pessoas não dependerem do automóvel da cidade, esse discurso é completamente retórico”.

“O sinal, a nosso ver, que o executivo de Gaia está a dar é que, em vez de reduzir a dependência do automóvel, o executivo quer reforçá-la”, aponta, dando como exemplo que a retirada da ciclovia numa avenida de serviços e comércio como a da República levou apenas ao estacionamento indevido.

“O que temos ali é o que já tínhamos antes, é uma faixa onde é possível circular e uma de estacionamento”, pois “onde havia ciclovia, onde não passavam carros, agora também não passam carros, porque é estacionamento indevido”.

A dirigente refere ainda que na parte norte da avenida “não há espaço para colocar duas faixas”, como o executivo quer estudar (dedicando uma para bus e mobilidade suave) sem remover espaço aos peões no passeio, “naquela que é a avenida principal e mais importante da cidade e onde há mais comércio”.

Perante o argumento já invocado pelo presidente da câmara de que desenvolveu várias ciclovias nos seus anteriores mandatos e as quer aumentar neste, a dirigente da MUBi crê que há “um estigma claro com a bicicleta em meio urbano”, cujos declives podem ser facilmente vencidos por bicicleta ou trotinete eléctrica.

“É justamente no meio urbano e nas áreas mais densas que a bicicleta é muito mais competitiva. No percurso, numa distância de até cinco quilómetros, a bicicleta é mais rápida que o carro”, ocupando menos espaço público e não gerando trânsito.

Reconhecendo que a ciclovia que existia “obviamente que não era perfeita” e faltava uma “uma segregação mais coerente, sem tantos espaços” livres, pois “onde já não havia pinos já existia o estacionamento ilegal”, a MUBi defende que “podia ter sido melhorada ao invés de ter sido retirada”.

A Lusa contactou o vice-presidente da autarquia sobre este assunto, mas não obteve resposta.

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