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A atriz catarinense Jéssica Juttel, 34 anos, sempre teve vontade de organizar um sarau após se mudar de Florianópolis, onde nasceu, para o Rio de Janeiro. A casa onde vivia, na bucólica Ilha Primeira, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste carioca, era perfeita, diz ela, para promover reuniões culturais. Mas o desejo só se concretizou quando fixou residência há dois anos, em Lisboa.
“Era um sonho meu. E, no Rio, onde morei por dez anos, eu tinha uma casa muito gostosa, ampla, no meio da natureza, que era excelente para um sarau. Mas o tempo foi passando e eu não fiz nada. De repente, vim morar em Lisboa, onde acabou acontecendo o primeiro sarau, no ano passado”, conta.
E o projeto vingou. Na próxima quarta-feira (29/04), ela celebra a segunda edição do Juttel & Misturado, que acontece das 17h às 21h, no Secret Garden, no Miradouro da Senhora do Monte, em Lisboa. A entrada é gratuita. “Acho que, quando a gente vai morar fora, cria mais coragem. A gente se conhece mais, se conecta mais com as nossas paixões”, afirma.
E acrescenta: “Em Portugal, adquiri uma energia muito forte para realizar coisas novas. E como gosto muito de viajar, de conhecer outras culturas e pessoas, o sarau, para mim, tem tudo a ver com isso: unir pessoas e formas de se expressar diferentes, com cada um trazendo a sua arte, a sua forma de enxergar o mundo. Isso também conecta quem está sozinho em Portugal, sem a sua família. Eu acho que a arte é uma forma de salvar o ser humano”.
O Juttel & Misturado, frisa Jéssica, é uma combinação de todos os tipos de arte. “Toda forma de expressão é bem-vinda no sarau. O programa tem leitura de poesias, artista plástica pintando em tempo real, enquanto o sarau está acontecendo, músicos. Aliás, faço questão de chamar músicos de rua ou músicos que, às vezes, estão precisando de um palco para mostrar seu trabalho. O sarau também é uma forma de dar luz a vários artistas”, pontua.
Palco aberto
Ela garante que o palco é aberto a quem quiser mostrar seus dotes artísticos. “Qualquer pessoa que tenha algum número para apresentar, pode participar do sarau. Pode ser um monólogo, um esquete de teatro, uma dança, a pessoa pode fazer o que sentir vontade no sarau. Tenho um amigo, por exemplo, que vai dançar tango”, conta.
A atriz destaca o local onde acontece o Juttel & Misturado. Para ela, o Secret Garden é um espaço perfeito para abrigar o projeto. “Tem uma galeria de arte lá dentro que casa perfeitamente com o sarau. E os donos são um italiano e dois moçambicanos. Essa mistura de culturas também é muito importante para o evento. Faz a gente aprender a olhar o outro com respeito, com carinho. Quando o sarau nasceu, muitas pessoas me pediram para eu continuar, porque Lisboa estava precisando desses encontros”, diz.
Jéssica comenta que não tinha planos de se mudar para Portugal. Ela veio a passeio para o país, mas acabou se apaixonando por Lisboa e decidiu ficar em solo luso. “Fui muito bem acolhida pela cidade”, afirma. “E conheci outras áreas artísticas, como organizar saraus e ajudar outras pessoas a estarem no palco”, garante ela, que também trabalha como guia turística na capital lisboeta.
Divulgação
Novela e teatro
Formada em artes cênicas pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a brasileira acrescenta que gravou uma participação na novela Terra Forte, da TVI. “A obra conta a história dos Açores e de Florianópolis, onde eu nasci”, exalta. “Eu me senti literalmente em casa. Foi uma experiência inigualável. As minhas cenas vão ao ar no mês que vem”, indica a atriz, que também fez uma participação na novela Segundo Sol (2018), da TV Globo, e atuou no folhetim Gênesis (2021), da Record.
Em maio, Jéssica avisa que também vai dar expediente no teatro português. Ela faz parte do elenco da peça Duas Mãos, escrita por Carol Machado e Ingrid Guimarães, com direção de Roberto Bomtempo. A estreia está marcada para o dia 8, no Teatro Independente de Oeiras.
“Estou colhendo bons frutos”, assinala a catarinense. A artista, que dividirá a cena com Cristina Pereira, Gonçalo Lima e Regina Sampaio, adianta que o espetáculo, que fala sobre duas avós, toca em um problema bastante atual no território português: a falta de moradia. Mas com uma pitada de humor.
“A peça conta a história de duas avós: uma é portuguesa e a outra, brasileira. E fala justamente da avó brasileira, que foi despejada por ser imigrante, assunto que está muito em voga na política portuguesa. Mas essa brasileira é acolhida na casa da amiga portuguesa. Então, o espetáculo traz essa combinação de culturas entre os dois países”, relata Jéssica.
Na peça, Jéssica interpreta a neta brasileira. “É uma comédia muito afetiva, carinhosa. É para rir e se emocionar ao mesmo tempo. Tenho certeza que quem ainda tiver o privilégio de ter os seus avós vivos, como eu tenho, vai querer sair correndo do teatro e ligar para eles”, finaliza.
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