O presidente da autarquia de Cascais, Nuno Piteira Lopes (PSD), saudou neste domingo o anúncio da subconcessão da Linha de Cascais, considerando que a articulação entre transporte ferroviário e rodoviário favorece a mobilidade e preconizou a gratuitidade no seu município.
Segundo o autarca, em declarações à Lusa, o anúncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, no Congresso do Partido Social Democrata, de que a Linha de Cascais será a primeira no país a ser subconcessionada, “vai ao encontro daquilo que é uma visão” que tem defendido para o município do distrito de Lisboa, de “aproximar a gestão da linha dos passageiros”.
“A Linha de Cascais é uma linha que atravessa três municípios – Cascais, Oeiras e Lisboa – e, por isso, é importante que estes municípios tenham uma palavra a dizer naquilo que serão os termos de uma futura concessão da linha”, argumentou Piteira Lopes.
Para o presidente da autarquia, “a mobilidade deve ser encarada como um serviço público essencial” e o “objectivo é poder ter cada vez mais pessoas a utilizar o transporte público, cada vez mais pessoas a utilizar a ferrovia”.
Nesse sentido, acrescentou, o serviço deve também ser “cada vez melhor”, para que “possa ser integrado com aquilo que já é o transporte público gratuito dos autocarros em Cascais, e que se possa avançar também com a gratuidade, para todos aqueles que trabalham, vivem ou estudam no concelho, na própria Linha de Cascais”.
“A prioridade é garantir capacidade de decisão próxima dos municípios e que qualquer modelo que venha a ser implementado, seja ele público, seja ele municipal, seja ele privado, seja avaliado por aquilo que são os resultados que entrega, se tem um bom serviço ou se não tem um bom serviço”, frisou.
Salientando que “a linha atravessa os três municípios”, Piteira Lopes notou, no entanto, que “existe um alinhamento entre aquilo que é o pensamento e a visão estratégica para esta linha entre o presidente da Câmara Municipal de Cascais, de Oeiras e de Lisboa”.
Aliás, antes das últimas eleições autárquicas, em 2025, quer o presidente da autarquia de Cascais, quer os seus homólogos de Oeiras, Isaltino Morais, e de Lisboa, Carlos Moedas, manifestaram a sua disponibilidade para assumir a gestão da linha ferroviária caso fosse objecto de subconcessão.
“Cascais só pode intervir naquilo que é a parte da linha entre Cascais e Carcavelos. E aquilo que eu sempre defendi é que, à semelhança do que já fazemos com os autocarros, se possa também oferecer aos munícipes de Cascais a gratuidade na linha de comboio para todos aqueles que trabalham, estudam ou moram no concelho”, reiterou, considerando que, depois, cada um dos outros municípios terá, “do ponto de vista político, o direito de poder fazer as opções que entender”.
Embora ainda não se conheçam “os termos da concessão”, para Nuno Piteira Lopes o seu anúncio “já é um grande avanço” e “vai ao encontro daquilo que é a visão estratégica” que defendeu para a Linha de Cascais, pois “o que interessa mesmo é garantir uma boa qualidade no serviço” e “captar mais utilizadores para o comboio”.
Em relação à requalificação da Linha de Cascais, em curso, “uma promessa que já existia há décadas e de vários governos”, mas que o “ministro das Infra-estruturas conseguiu garantir”, as obras “estarão concluídas até ao final de 2026” e as novas carruagens “irão começar a chegar após a conclusão das obras de qualificação da linha”.
Por isso, acrescentou: “Acho que temos uma luz que nos indica que iremos ter um melhor serviço, mais pontual, com melhores carruagens, com interoperabilidade entre aquilo que é o transporte rodoviário e o transporte ferroviário e, por isso, estamos no bom caminho.”
A autarquia ambiciona assumir a gestão operacional e comercial da linha, onde se incluem as estações, e, perante o anúncio de Montenegro em Anadia, Piteira Lopes espera que “agora o processo se possa desenvolver rapidamente”.
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