O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, candidato à presidência nas eleições de 4 de Outubro, pediu cerca de 134 milhões de reais (mais de 20 milhões de euros) ao antigo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, agora detido e suspeito de vários “crimes contra o sistema financeiro nacional”, para financiar um filme biográfico sobre o seu pai, o ex-Presidente Jair Bolsonaro. De acordo com uma investigação publicada pelo site The Intercept Brasil nesta quarta-feira, Vorcaro terá aceitado cobrir parte dos custos de produção do filme Dark Horse depois de, em Setembro de 2025, Flávio Bolsonaro o ter contactado a dar conta de dificuldades do projecto.
O pedido de financiamento foi acompanhado de mensagens de solidariedade de Flávio Bolsonaro para com o banqueiro quando este já era alvo de suspeitas por parte das autoridades. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz”, declarou o candidato. A Polícia Federal confirma a veracidade das mensagens, que terão sido extraídas do telemóvel de Vorcaro após a sua detenção.
“Está num momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, está todo o mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou para o filme”, diz o senador, numa mensagem em áudio enviada a Vorcaro e agora divulgada pelo site de jornalismo de investigação.
O filme, com estreia prevista para o final deste ano, a dias das eleições presidenciais brasileiras, foi realizado pelo norte-americano Cyrus Nowrasteh e escrito por Mário Frias, antigo secretário da Cultura de Jair Bolsonaro. O actor Jim Caviezel desempenha o papel do ex-Presidente brasileiro.
Escândalo financeiro
As revelações estão a abalar a campanha. O Banco Master foi intervencionado e liquidado em Novembro passado pelo Banco Central do Brasil, devido à sua “grave crise de liquidez”, ao “comprometimento significativo da sua situação económico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a actividade das instituições”. Segundo o Supremo Tribunal Federal, estão em causa suspeitas de “crimes contra o sistema financeiro nacional, notadamente, gestão fraudulenta, indução de investidor em erro, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado, além de lavagem de dinheiro e constituição de organização criminosa”.
Na prática, e entre outras irregularidades, o banco terá operado um esquema fraudulento em pirâmide. Vorcaro, o seu proprietário, acabou por ser detido no âmbito da Operação Compliance Zero e está em prisão preventiva desde Março, sendo suspeito de subornar um antigo director do Banco Central.
Vorcaro tornou-se numa figura tóxica para a classe política brasileira e a campanha de Bolsonaro vinha tentando colar o antigo banqueiro ao Presidente Lula da Silva. “Não foi o Bolsonaro quem se reuniu escondidinho com o Vorcaro e o presidente do Banco Central. Foi o Lula”, declarou Flávio Bolsonaro há dias numa acção de campanha, acusando o chefe de Estado de corrupção.
Agora, Bolsonaro afirma que procurou apenas “patrocínio privado para um filme privado” e nega ter oferecido “vantagens em troca” ao banqueiro. O candidato defende a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito, como já o tinha feito antes das revelações desta quarta-feira, e alega que conheceu Vorcaro quando “não existiam acusações nem suspeitas públicas” sobre o executivo.
Bolsonaro e Lula empatados
A notícia está a ser acolhida à direita com perplexidade. Romeu Zema, antigo governador de Minas Gerais, apoiante de Bolsonaro e um dos nomes apontados para concorrer a “vice” com o filho do antigo Presidente, recorreu às redes sociais para qualificar o caso de “imperdoável”.
Flávio Bolsonaro encontrava-se em situação de empate técnico com Lula da Silva num cenário de segunda volta. Esta quarta-feira, horas antes da publicação da investigação do The Intercept Brasil, uma sondagem da Quaest colocava Lula com 42% das intenções de voto e Bolsonaro com 41%, um intervalo dentro de uma margem de erro de dois pontos percentuais que se tem mantido estável ao longo dos últimos meses.
O futuro da campanha de Bolsonaro fica agora em aberto. O líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, avançou que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal a abertura de uma investigação sobre a relação entre o candidato da direita e Vorcaro. Outro deputado do PT, Lindbergh Farias, defendeu a prisão preventiva de Bolsonaro e o congelamento dos bens do senador. O novo escândalo agitou a bolsa de São Paulo, que perdia cerca de 1,80% após a divulgação da notícia
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