Brasil e Marrocos não saíram do empate em “duelo” com duas faces

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Ao sexto jogo, Brasil e Marrocos protagonizaram o primeiro grande “duelo” deste Mundial 2026, assumindo o pontapé de saída do Grupo C – que conta ainda com Escócia e Haiti – marcado por um empate (1-1), o segundo do dia, ajustado ao futebol produzido.

Marrocos começou melhor, esteve em vantagem, mas o Brasil recompôs-se e partiu para uma hora de superioridade, a que só faltou alguém ao nível de Vinícius Júnior para operar a reviravolta.

Com quatro “repetentes” do “onze” que só caiu nas meias-finais do Qatar 2022, aos pés da França, após eliminar Espanha e Portugal, no que é o maior feito de uma selecção africana em fases finais de Mundiais, Marrocos entrou a “matar” no MetLife, em Nova Jérsia.

Os campeões da CAN 2025 imitaram o bicampeão europeu, PSG, na saída de bola, iniciando uma pressão que deixou o Brasil sem fôlego nem capacidade para organizar as ideias. Foram precisos oito minutos para os pentacampeões do mundo se libertarem do espartilho marroquino.

No processo, Bruno Guimarães salvou a “canarinha” de apuros, ao evitar um golo “cantado” de El Aynaoui logo aos seis minutos. Carlo Ancelotti surpreendera com duas novidades nas laterais e uma troca no ataque, colocando Ibañez e Douglas Santos em vez de Danilo e Alex Sandro, apostando em Igor Thiago em detrimento de Matheus Cunha, na frente.

​E notou-se o nervosismo, com o lateral direito a ser batido logo no início e a expor o Brasil à voracidade do futebol marroquino. As consecutivas perdas de bola na transição ofensiva acentuavam os problemas do “escrete”, que em 2023 perdera pela primeira vez com Marrocos, num jogo amigável.

A arte de Brahim Díaz e Saibari

Os triunfos brasileiros neste confronto directo remetem para 1997 e para o Mundial de França 1998, quando golearam a selecção magrebina na fase de grupos, onde curiosamente também estava a Escócia.

Agora, porém, a realidade alterou-se profundamente, com o Brasil a atravessar um deserto de títulos em Mundiais, que vai em 24 anos, desde a conquista do Coreia/Japão 2002.

Hiato exactamente igual ao que separou o “tri” do México 1970 do “tetra” dos EUA 1994, o que até poderia ser um sinal do Universo a levantar o véu do “hexa” neste regresso aos Estados Unidos.

Mas, para isso, o Brasil de Ancelotti precisava de controlar o ímpeto do adversário, agora dirigido pelo belga/marroquino Mohamed Ouahbi, campeão do mundo sub-20 com Marrocos em 2025, numa final com a Argentina.

Ouahbi tinha à disposição os tais jogadores nucleares do Qatar 2022 e uma fornada promissora, com Brahim Díaz a mostrar, num passe letal para Ismael Saibari, toda a magia do futebol marroquino.

O avançado do PSV Eindhoven, campeão neerlandês, aproveitou a deixa e abriu o marcador, picando a bola por cima de Alisson. Aos 21 minutos estava consumada a entrada fulgurante de Marrocos.

Vini baila a solo

O Brasil precisava de um golpe de génio, mas o melhor que conseguira havia sido um cruzamento de Vinícius Júnior para Igor Thiago falhar a finalização. À segunda, Vini fez tudo sozinho, levantando o estádio com um golo de classe, irrepreensível (32′).

O empate apaziguava os espíritos de uma legião de brasileiros. Mas ainda faltava rasgar um sorriso de orelha a orelha. Algo que Ancelotti procurou com as entradas de Danilo e Fabinho na segunda parte, sacrificando Ibañez e Casemiro (amarelados).

O Brasil subiu de produção, fruto da organização e do controlo do jogo, mas ainda dependia quase exclusivamente dos rasgos de Vinícius Júnior, que manteve Hakimi sob pressão constante no corredor esquerdo, proporcionando duelos intensos.

Com Igor Thiago e Lucas Paquetá completamente “espremidos” e Marrocos “domado”, o seleccionador do Brasil apostou em Luiz Henrique e Matheus Cunha.

Marrocos respondeu três minutos depois, com duas substituições, e voltou a equilibrar o jogo e a criar perigo, o que ainda não conseguira no segundo tempo, mesmo não tendo enquadrado qualquer remate até aos 90+9 minutos.

Com menos de 15 minutos para conseguir uma vitória no jogo de estreia, o Brasil encontrou em Raphinha a resposta a uma parceria com Vinícius, com Bono a travar o primeiro remate do criativo do Barcelona em quase 80 minutos de jogo.

Porém, com o tempo a esgotar-se, as equipas perceberam que o empate podia ser um bom resultado, pelo que o risco de uma exposição excessiva não compensava. Entendimento que deixou o jogo terminar em águas relativamente tranquilas, mesmo havendo 10 minutos de compensação, que só o Brasil explorou… até El Aynaoui ter obrigado Alisson à defesa do jogo, a um minuto do fim.

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