Brasil registra o maior aumento de consumo de vinho do mundo em 2025: 41,9%

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Não é por acaso que as vinícolas portuguesas estão reforçando suas posições no Brasil. Dados divulgados na terça-feira, 12 de maio, pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV, na sigla em inglês) apontam que o país registrou o maior crescimento no consumo de vinhos do mundo em 2025 em relação ao ano anterior: 41,9%.

Os brasileiros beberam, no período, 4,4 milhões de hectolitros, volume que está 19,9% acima da média dos últimos cinco anos. Apesar desse expressivo salto, o consumo per capita de vinhos no Brasil é de apenas três litros, quando, em Portugal, atinge 60 litros — o mais elevado do mundo.

Vários fatores podem explicar o apetite maior dos brasileiros por vinhos, segundo o diretor Comercial da Cartuxa, João Teixeira: a renda real do trabalho no Brasil está no nível mais elevado da história, a inflação se mantém sob controle e o câmbio, que pesa nas importações, está praticamente estável, com o euro abaixo de seis reais e o dólar cotado a menos de cinco reais.

Segundo a OIV, o Brasil, assim como a Romênia (aumento de 11% no consumo), o Japão (+6,8%), a Áustria (+6%) e Portugal (+5,6%), caminhou na contramão do mundo. Na média, a demanda global por vinhos registrou retração de 2,7% no ano passado ante 2024, para 208 milhões de hectolitros.

“Essa queda reflete o efeito combinado de mudanças estruturais de longo prazo em mercados maduros, mudanças no comportamento do consumidor e recentes pressões econômicas sobre o poder de compra (inflação mais elevada)”, destaca a associação, que chama ainda a atenção para o impacto negativo do tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vigorou em boa parte de 2025. Maior mercado consumidor de vinhos do mundo, os EUA registraram recuo de 4,3% nas vendas da bebida.

Diante do expressivo incremento no consumo em 2025, o Brasil se consolidou como o 12º maior mercado do mundo e o segundo da América Latina, atrás da Argentina, onde a demanda pela bebida declinou pelo quinto ano consecutivo, para 7,5 milhões de hectolitros. O Brasil está muito próximo de superar a China, onde as vendas de vinhos desabaram 13% no ano passado, para 4,8 milhões de hectolitros. “Há um espaço muito grande para o consumo de vinhos crescer no Brasil”, reforça Nuno Pires, fundador da Essência Company, que atua no comércio da bebida.

Mais vinhos brasileiros

O Brasil também aparece como destaque no relatório da Associação Internacional da Vinha e do Vinho quando o assunto é produção da bebida originária da uva. Enquanto a área global de vinhedos diminuiu pelo sexto ano consecutivo, atingindo 7 milhões de hectares em 2025 (-0,8% frente a 2024), no Brasil, houve expansão pelo quinto ano consecutivo, atingindo 91 mil hectares (+9,6% ante 2024).

Quando se olha apenas para a América do Sul, a OIV ressalta que a área de vinhedos da Argentina continua com a tendência de queda iniciada em 2015 — retração de 1,9% em 2025 —, atingindo 196 mil hectares. Já no Chile, a queda na área plantada vem recuando desde 2020 — no ano passado, o tombo foi de 3,7% —, totalizando 154 mil hectares. Desde 2019, os vinhedos chilenos, que respondem por 50% dos vinhos importados pelo Brasil, encolheram 27%.

A associação destaca, ainda, que a produção de vinhos permanece abaixo das médias históricas, encerrando 2025 em 227 milhões de hectolitros (+0,6% sobre o ano anterior). Por outro lado, complementa a entidade, Brasil, Nova Zelândia, África do Sul e Moldávia se beneficiaram de uma recuperação após a redução da safra de 2024.

“A produção de vinhos no Brasil atingiu 2,8 milhões de hectolitros, com aumento de 80,6% em relação ao nível historicamente baixo registrado em 2024 e 15,8% acima da média dos últimos cinco anos. A recuperação reflete condições climáticas favoráveis, com um inverno chuvoso seguido por uma primavera e um verão secos e ensolarados, que sustentaram altas safras nas principais regiões vinícolas”, assinala a OIV.

Para a entidade, apesar dos muitos percalços que tem enfrentado, como as questões climáticas, os problemas econômicos e sociais e o abalo do comércio internacional provocado por políticas tarifárias, como as praticadas pelos Estados Unidos, o setor vitivinícola tem conseguido bons resultados. A aposta é de que acordos como o fechado entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, contribuirão para condições mais favoráveis à evolução do mercado.

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