Brasileiros surfistas transformam cachorro-quente em experiência afetiva em Lisboa

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Dois brasileiros — Manoel Acioly Neto, nascido no Recife, Pernambuco, e Andreia Santos, natural da capital de São Paulo — abriram há três anos a loja Cachorro Quente, nas imediações do Largo Luís de Camões, em Lisboa. O espaço tem conquistado brasileiros, portugueses e clientes de diversas nacionalidades ao oferecer um lanche típico do Brasil, o cachorro-quente, com ingredientes como salsicha, ervilha, milho, purê de batatas e carne moída, segundo Manoel. A casa abre as portas às 17h, atendendo tanto quem trabalha até mais tarde quanto os frequentadores da noite lisboeta, que buscam uma refeição antes de dormir.

A trajetória do casal até o empreendimento em Portugal começou no Brasil. Manoel conta que trabalhou na área administrativa, mas que também sempre foi comerciante em Pernambuco, e isso lhe desenvolveu a veia empreendedora. Adepto do surfe, prática que compartilha com a esposa sempre que possível, ele decidiu buscar novas oportunidades ao lado de Andreia e, juntos atravessaram o Atlântico. A mudança para Portugal abriu caminho para a concretização do desejo de gerir o próprio negócio em conjunto.

A loja foi inaugurada em maio de 2023 e, após três anos de muito trabalho, os brasileiros afirmam que conquistaram uma clientela fiel. “Hoje, temos clientes brasileiros e portugueses que estão conosco desde que abrimos as portas. Também temos muitos clientes estrangeiros, e eles nos fazem perceber o quanto a culinária brasileira é apreciada no exterior. Mas o mais engraçado é explicar para eles como um cachorro-quente pode ter tantos ingredientes”, diz o empreendedor, entre risadas.

“Tudo o que tem direito”

O diferencial do cardápio, diz ele, está na combinação de referências gastronômicas de diferentes regiões do Brasil. Manoel explica que une o purê de batatas, muito usado em São Paulo, à carne moída — com a qual se prepara o molho à bolonhesa, tradicional do Nordeste — em um único sanduíche, criando uma experiência de sabor marcante. Entre os brasileiros, o pedido mais comum é o “cachorro especial”, que reúne purê, molho bolonhesa, milho, ervilha, vinagrete, batata palha, salsicha, queijo ralado, maionese, catchup e mostarda: “tudo o que tem direito”, reforça o empresário. Na noitada brasileira, é o chamado “podrão”.

Entre os clientes estrangeiros, a reação inicial costuma ser de cautela. Muitos optam por versões mais simples, com pão, salsicha, batata palha e molho bolonhesa. Com o tempo, no entanto, passam a experimentar versões mais completas e surpreendem-se positivamente com a diversidade de sabores. Para Manoel, a receptividade está ligada também à imagem do Brasil no exterior.

Segundo ele, o povo brasileiro é reconhecido pela simpatia e hospitalidade, o que contribui para o interesse pela culinária nacional. Além dos cachorros-quentes, o cardápio inclui misto-quente e doces tradicionais brasileiros, como brigadeiro de leite ninho, de paçoca, beijinho de coco e bem-casado. Questionado sobre o segredo das receitas, o empreendedor resume de forma direta: o principal ingrediente é o amor.

No tradicional cachorro-quente brasileiro cabe tudo, até purê de batata
Divulgação

Impacto afetivo da comida

As histórias vividas no dia a dia da loja refletem o impacto afetivo da comida. Manoel relembra o caso de um cliente norte-americano que, ao provar o sanduíche “especial”, reagiu de forma entusiasmada e aos gritos: “Oh my God, what a very crazy hot dog (Oh meu Deus, que cachorro-quente mais louco”)”.

Já entre brasileiros, os relatos costumam carregar memória e emoção: “Ai, comendo esse cachorro, lembrei do meu aniversário de 12 anos”, “Lembrei da casa da minha avó”, “Que saudade do gostinho do Brasil”. “Isso é muito gratificante, e nos dá força para continuar nesse trabalho. Lógico que tem seus altos e baixos, mas vemos que o projeto tem um potencial muito grande”, diz Manoel.

O horário de funcionamento é apontado como um dos principais diferenciais do negócio. Entre segunda e quarta, de 17h a meia noite, e, de quinta a sábado, de 17h às 2h da madrugada, a loja atende a uma demanda específica da cidade: trabalhadores com jornadas prolongadas e pessoas que circulam pela vida noturna de Lisboa. Localizada na Calçada do Combro, no Bairro Alto, a casa se beneficia da intensa movimentação da região, considerada estratégica pelos proprietários.

“Eu e minha esposa apostamos no poder do cachorro-quente com sabor brasileiro, e aqui você não encontra o sanduíche com a pegada que tem o nosso DNA. Tanto é que o nome da nossa loja é justamente Cachorro Quente”, ressalta o empreendedor. O casal também destaca o acolhimento como parte essencial do serviço, sobretudo para imigrantes que buscam referências do país de origem, além de estrangeiros interessados em conhecer novos sabores.

Com planos de expansão, Manoel afirma que o objetivo inicial é fortalecer a unidade atual antes de abrir novas lojas. Ele também revela um projeto que une trabalho e estilo de vida: “O sonho de todo surfista é abrir uma loja de cachorro-quente na praia. Assim, a gente une o útil ao agradável, trabalha e, de vez em quando, pega uma onda ali mesmo. Ou seja: surfar na onda do cachorro-quente”, emociona-se o pernambucano.

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