Canadá investiu na coragem e arrancou à Bósnia primeiro ponto em Mundiais

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Bósnia-Herzegovina e Canadá protagonizaram, esta sexta-feira, na entrada em cena do Grupo B, ao terceiro jogo do Mundial 2026, o primeiro empate (1-1) do torneio. Um empate com sabor a pouco para os canadianos, a selecção mais arrojada e que mais investiu num triunfo que esteve perto de sorrir aos bósnios.

O Canadá procurava a primeira vitória numa fase final, no primeiro jogo em solo canadiano de um Mundial, frente ao “carrasco” da selecção “azzurra” – única campeã do mundo ausente.

Mas a Bósnia e Herzegovina tinha um plano ligeiramente diferente, apoiado no pragmatismo e na importância de obter um triunfo no jogo de estreia.

Em comum, o 4x4x2 de Jesse Marsch e Sergej Barbarez, seleccionadores canadiano e bósnio, respectivamente. Sistema que não deverá imperar no torneio, mas que, coincidentemente, encontrou dois dos seus defensores neste Grupo B.

Apesar de muito fustigado por lesões, com destaque para os centrais Alphonso Davies (Bayern Munique) e Moise Bombito (Nice), entre outros, o Canadá não virou a cara à luta.

A jogarem em Toronto, os “les rouges” tentaram tirar partido do calor humano do estádio mais pequeno deste 23.º Mundial, reduto a que foi acrescentada uma bancada pouco aconselhável a adeptos com vertigens.

Vertigem foi o que o Canadá procurou explorar na abordagem ao jogo com os bósnios, com doses generosas de coragem ao expor-se de forma consciente a uma Bósnia com talento suficiente para aproveitar o mínimo deslize.

Bósnia que começou com o avançado Edin Dzeko, um dos dois “sobreviventes” do Mundial 2014, no banco de suplentes, optando por Jovo Lukic, principal goleador da Liga romena.

Aposta ganha, como se provou na sequência de um canto que o avançado de 27 anos transformou no golo inaugural do grupo neste Mundial, que inclui ainda a favorita Suíça e o Qatar de Julen Lopetegui.

O Canadá já tinha dado um par de sinais de imaturidade, apesar do registo de invencibilidade nos últimos oito jogos. Alguns passes errados no corredor central motivaram correcções e acções de emergência de alguma dureza, sempre desaconselhável num torneio curto.

A Bósnia sentia que poderia manter posições, pressionar arriscando o mínimo, ganhando confiança sempre que saía em transição, a explorar a profundidade, contornando a pressão canadiana.

E isso, depois de um primeiro remate frontal logo a abrir o encontro, foi complementado com os lances de bola parada, como o que deu vantagem aos bósnios.

A partir desse momento, a equação apresentava uma solução simples. Um segundo golo ditaria, quase garantidamente, um triunfo neste duelo.

Por sua vez, o Canadá conhecia a fórmula que o colocaria numa posição mais favorável para tentar a tal primeira vitória em fases finais de Mundiais, depois de no Qatar ter conseguido o primeiro golo (marcou dois, à Croácia e a Marrocos).

Mais uma vez, coragem não faltou. O início da segunda parte foi de alta intensidade, com a Bósnia a resistir estoicamente ao assédio canadiano, que incluiu bolas na barra e inúmeros momentos críticos para o guarda-redes bósnio.

Num deles, Vasilj socou a bola e, na sequência, a cabeça de Oluwaseyi, que partira de posição irregular. Apesar da tendência, a estatística mostrava um quadro mais equilibrado, com ligeiro ascendente do Canadá na posse, nos remates e, sobretudo, nas oportunidades flagrantes, com a Bósnia a desfrutar de um lance capital para desactivar a ameaça dos norte-americanos.

Mas os números nem sempre contam a história completa dos jogos e o Canadá fez dessa pequena margem o suficiente para empatar e puxar o tapete a uma Bósnia que se arrependeu de não ter forçado o segundo golo.

Acabado de chegar ao jogo, Cyle Larin, do Southampton, precisou de dois minutos e 20 centímetros para receber, rodar e disparar para o 1-1. A 12 minutos dos 90, a Bósnia via esfumar-se uma vitória fundamental para enfrentar a Suíça com maior margem de confiança.

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