Cansaço da população

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Um dos principais argumentos contra a recondução de dirigentes políticos aos cargos que ocupam, sobretudo, na Presidência da República, é a necessidade de renovação. Democracias saudáveis tendem a se beneficiar da alternância de poder. Já a continuidade pode ser aceita quando há projetos de longo prazo em execução ou estabilidade a preservar, o que não é o caso atual brasileiro.

Apoiadores da continuidade do atual governo, chefiado por Luiz Inácio Lula da Silva, apontam para a segurança institucional do Brasil. Alegam não haver ameaça à democracia por parte do Executivo e que os projetos democráticos da administração petista são bem aceitos pela população e se desenrolaram tranquilamente. Os contrários argumentam que a renovação diminuiria a influência dos mesmos políticos — alguns, nefastos —, abriria espaço para novas ideias, lideranças e reduziria o risco de desgaste institucional do atual Presidente.

Em seu terceiro governo, Lula apresenta bom desempenho econômico — o país cresce, em média, 3% ao ano, o desemprego está no menor nível da história e a renda real do trabalho é a maior que já se viu, com inflação sob controle — e social — o país voltou a sair do Mapa da Fome —, base de sustentação que julga sólida o bastante para cobiçar um quarto mandato. Muitos dos seus partidários defendem que sua candidatura é a única capaz de travar a eleição do filho 01 de Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, uma forma de dizer ao eleitorado que ninguém melhor do que ele para derrotar o bolsonarismo. Talvez, até agora.

Alguns petistas fora do circuito mais próximo de Lula discordam, alegando que, até o próximo pleito, marcado para outubro, haveria condições para trabalhar outras candidaturas, como a do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a princípio, pré-candidato ao Governo de São Paulo. Mas Lula não se dispõe a aceitar a alternância do poder. Está determinado a permanecer no Palácio do Planalto, o que, talvez, num futuro nem tão distante, possa se configurar como um equívoco da sua trajetória política.

O petismo radical parece esquecido de que Lula venceu as eleições presidenciais de 2022 por muito pouco — 50,90% dos votos válidos contra 49,10% do ex-capitão do Exército, agora em prisão domiciliar pelo crime de tentativa de golpe de Estado — e também com a ajuda da pandemia, tragicamente administrada pelo governo bolsonarista. As condições continuam favoráveis a Lula. Não há instabilidade política, desequilíbrio da conjuntura socioeconômica ou epidemias à vista. A disputa será na face a face do debate presidencial. Vencerá o mais convincente.

Quando um líder se torna um polo central de divisão na sociedade — caso de Lula —, sua recandidatura pode intensificar conflitos e dificultar consensos. Uma saída voluntária do pleito presidencial poderia reduzir essas tensões, permitindo a reconfiguração do debate político tão necessário ao país e a apresentação de novas lideranças. Mas esta é uma possibilidade inaceitável para o casal que habita os palácios de Brasília.

A população já apresenta sinais de cansaço do mesmíssimo petista, o que pode resultar na eleição de um postulante bolsonarista. No momento, são apenas conjecturas e o nome da direita que já se apresentou é tão débil que não suportou sequer a tensão num debate sobre a Prefeitura do Rio de Janeiro e desmaiou. Imaginem o que poderá acontecer num enfrentamento com um líder experiente e com bons resultados de governo a apresentar. É esperar para ver os chiliques do bolsonarismo que poderão acontecer.

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