“Capanga” de Trump, inexperiente, herdeiro de uma promotora de imobiliário: Bill Pulte, o director interino das secretas americanas

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O Presidente Donald Trump nomeou na terça-feira o regulador federal da habitação Bill Pulte como director interino dos serviços nacionais de informações, promovendo um aliado político sem experiência em segurança nacional para liderar a vasta comunidade de informações dos EUA num momento de guerra e tensões globais. Pulte, de 38 anos, tem utilizado o seu cargo à frente de uma discreta agência reguladora do crédito à habitação para pressionar a abertura de investigações a vários alegados adversários de Trump por suspeitas de fraude hipotecária. Nenhum desses casos resultou, até agora, em acusações criminais. Pulte substitui Tulsi Gabbard, que está de saída do cargo.

Democratas e pelo menos um republicano criticaram Pulte, considerando-o não qualificado para supervisionar os serviços de informações dos EUA.

Pulte pode exercer o cargo durante até 210 dias sem confirmação pelo Senado. Esse prazo permitir-lhe-ia manter-se em funções até às eleições intercalares de Novembro, nas quais os republicanos de Trump procuram manter o controlo do Congresso.

Múltiplas funções

Trump afirmou que Pulte continuará como director da Federal Housing Finance Agency e presidente das entidades apoiadas pelo Estado Fannie Mae e Freddie Mac, ao mesmo tempo que supervisiona as 18 agências que compõem a comunidade de informações dos EUA.

“William tem uma vasta experiência na gestão das matérias mais sensíveis na América, a segurança e solidez dos mercados, e mais de 10 biliões de dólares na Fannie Mae/Freddie Mac, um aumento substancial face ao que era há apenas 12 meses”, escreveu Trump na sua plataforma Truth Social.

Pulte, que não tem experiência na área das informações, ficará responsável por supervisionar a principal agência de espionagem externa, a CIA, e a Agência de Segurança Nacional (NSA), a enorme estrutura que intercepta comunicações estrangeiras e ajuda a defender os Estados Unidos contra ciberataques.

O líder republicano no Senado, John Thune, afirmou que Pulte poderá ter dificuldades em obter confirmação na câmara, estreitamente dividida, caso Trump decida nomeá-lo de forma permanente.

“Se for alguém que queremos nessa posição de forma permanente, terá um longo caminho pela frente”, disse Thune, citado pelo Semafor.

Gabbard, nomeada por Trump e directora das informações nacionais desde Fevereiro de 2025, anunciou no mês passado planos para deixar o cargo com efeitos a 30 de Junho. A Reuters noticiou que Gabbard foi forçada a sair devido a tensões com a Casa Branca. A própria afirmou ter-se demitido devido ao diagnóstico recente de cancro do marido.

Tal como Pulte, Gabbard utilizou um cargo tradicionalmente não partidário para promover interesses políticos de Trump, assumindo um papel de destaque em esforços para investigar as alegações infundadas do presidente sobre fraude nas eleições de 2020.

A nomeação surge numa altura em que os Estados Unidos estão envolvidos na guerra com o Irão e enfrentam vários outros desafios de política externa, incluindo a guerra da Rússia na Ucrânia e o crescente poder militar e económico da China.

Pulte não respondeu a um pedido de comentário.

“Capanga partidário”

“Não vejo qualquer prova de qualificações para esse cargo”, afirmou o republicano John Cornyn, membro da Comissão de Informações do Senado, que perdeu na semana passada uma eleição primária para um candidato apoiado por Trump.

Pulte tem incentivado processos contra alegados adversários políticos do presidente, acusando a procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, o senador da Califórnia Adam Schiff, ambos democratas, e a governadora da Reserva Federal Lisa Cook, nomeada pelo ex-presidente democrata Joe Biden, de fraude hipotecária.

Um grande júri federal recusou acusar Letitia James num processo do Departamento de Justiça. As autoridades também não apresentaram acusações contra Schiff, que nega as alegações.

Trump tentou demitir Lisa Cook — uma medida sem precedentes de um presidente contra um responsável do banco central dos EUA — com base nas acusações não comprovadas de Pulte, mas os tribunais permitiram que ela se mantivesse no cargo. Também ela negou as acusações. Espera-se que o Supremo Tribunal se pronuncie nas próximas semanas sobre o caso.

O líder democrata no Senado, Charles Schumer, classificou Pulte como um “capanga partidário”.

“Alguém que apresenta acusações tão infundadas, políticas e extravagantes contra responsáveis eleitos de que não gosta não pode ser encarregado de proteger a nossa segurança nacional”, afirmou Schumer.

Negócio familiar

Pulte é herdeiro da empresa familiar de promoção imobiliária PulteGroup, fundada pelo seu avô na década de 1950. Fundou anteriormente a firma de private equity Pulte Capital e está envolvido em actividades filantrópicas de grande escala.

Como directora das informações, Gabbard liderou várias iniciativas que apresentou como esforços para eliminar a politização da comunidade de informações. No entanto, esteve largamente ausente das deliberações entre Trump e os seus principais conselheiros de segurança nacional sobre grandes questões de política externa.

Esteve presente, em Janeiro, numa busca do FBI a uma instalação eleitoral na Geórgia, um dos estados decisivos na derrota de Trump nas eleições de 2020. Registos posteriores mostraram que a operação se baseou em dados questionáveis fornecidos por um nomeado político da Casa Branca conhecido por repetir as falsas alegações de fraude eleitoral de Trump.

As posições de Pulte sobre as eleições de 2020 não são claras. Segundo a senadora democrata Elizabeth Warren, eliminou 25 mil publicações nas redes sociais antes de ser nomeado por Trump para liderar a FHFA.

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