Um Governo sem qualidades
O erro de não saber/conseguir ler a realidade à frente dos nossos olhos num primeiro momento é totalmente compreensível e desculpável. O que vem a seguir já exige outro tipo de capacidade de análise, diagnóstico e de decisão que, manifestamente, pôs a nu o nível de incompetência que grassa a nível político e, como também ficou bem patente, a nível técnico da ANPC. Sejam sérios e assumam as vossas responsabilidades sem tentarem fugir e sem manobras propagandísticas e, dentro de dois meses no máximo, que se avance para a comissão parlamentar da actuação das diferentes cadeias de “descomando” a que temos assistido. Um cidadão afectado e que exige responsabilidades.
João Augusto, Leiria
A desertificação noticiosa
É frustrante. Mas talvez ainda haja solução. Ajudaria dar mais atenção ao ordenamento do território? Lendo o PNPOT (Plano nacional de Ordenamento do Território) e a regulamentação europeia? Diz o PNPOT que devemos ter um território policêntrico. Então desenvolvamos cidades que ajudem a desenvolver as regiões. A regulamentação europeia manda fazer planos de mobilidade sustentável. Talvez fosse boa ideia reduzir o número de distritos, poucas NUT II, não pensar só em subsídios, e menos concelhos. Há o risco de estar a reforçar o caciquismo, mas há meios para o evitar, equilíbrios e contrapesos, como dizem os anglo-saxónicos, ou sistemas independentes de qualidade, como se usa nas grandes empresas, ou processos de análise e desenvolvimento colectivos, ou simplesmente accionar o art.º 48 da Constituição. Até se podia reduzir o número de círculos eleitorais e assim dar mais voz aos pequenos partidos. Tudo isto é difícil, mas talvez ainda haja solução.
Fernando Santos e Silva, Lisboa
A metáfora da roulotte
A fotografia de Carlos Barroso/Lusa, que imortaliza uma roulotte de pernas para o ar, transcende o registo fotojornalístico para se tornar uma alegoria cruel do Portugal contemporâneo. Representa o país no seu “melhor”: a crónica incapacidade de antecipação perante o (im)previsto. O que assistimos não é a uma fatalidade do destino, mas sim um padrão de gestão que se repete ciclicamente: tal como os incêndios no Verão, as cheias e vendavais de Inverno deixaram de ser excepções para se tornarem eventos recorrentes. No entanto, a resposta institucional continua a tratar o estrutural como se fosse acidental.
Quando o discurso oficial apela a uma “aprendizagem contínua” (estamos todos aprender), o que se lê nas entrelinhas é a confissão de que a prevenção falhou. Aprender com o erro é louvável; ignorar a experiência acumulada de décadas é negligência. A hesitação na declaração de calamidade pública, contrastada com a visibilidade mediática de ministros que gerem a incompetência com vigor (o vídeo divulgado mostrando um dirigente governamental hiperactivo), revela um governo mais focado na narrativa do que na eficácia.
Portugal parece viver num estado de reactividade permanente. Enquanto a infra-estrutura colapsa e o ordenamento do território se mostra obsoleto face às alterações climáticas, o país assiste, impávido, à inversão das prioridades: a burocracia sobrepõe-se à urgência, e o anúncio político substitui a planificação das políticas ambientais. A roulotte voltada para o céu é, afinal, o retrato de um Estado que, perante a tempestade, perdeu o eixo, o contacto com o chão.
Jorge Patrício Martins, Ponte de Lima
A inversão do conceito de terrorismo
A União Europeia, pela voz de Kaja Kallas, considerou, e bem, a Guarda Revolucionária do Irão (IRGC) como grupo terrorista. Não foi de ânimo leve e sem fundamento que Kallas retratou esta ominosa IRGC. Nas recentes manifestações que tiveram lugar no Irão, foram assassinadas milhares de pessoas que protestavam contra o regime concentracionário, retrógrado e obscurantista do ayatollah Al Khamenei. Os assassínios de manifestantes foram a razão factual para a UE classificar de grupo terrorista o IRGC. O Irão não perdeu tempo, convocou os embaixadores da UE para manifestar o seu desagrado por esta decisão. Na resposta, e numa inversão ominosa, o Irão resolveu classificar os exércitos dos vários países europeus como grupos terroristas! Como se estes exércitos tivessem assassinado milhares de pessoas! A esquizofrenia dos regimes ditatoriais não tem limites. Não haja dúvida de que para o european way of life o Irão, a Rússia, a Coreia do Norte e a China constituem, actualmente, o designado Eixo do Mal. Quem duvida?
António Cândido Miguéis, Vila Real
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