Cartas ao director

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Segurem-me que eu desmaio

Afinal, o partido neofascista português está disponível para negociar com o Governo o ataque aos trabalhadores. E afinal, o Governo português está disposto a aceitar termos do partido neofascista para aprovar os sobreditos. Duas surpresas muito grandes, para que não sei se alguém estava preparado. Ainda se a História do século XX nos permitisse prever que o fascismo e o liberalismo em decadência, face à crise, se alinhariam na necessidade de acabar, se não por decreto, pela força, com as ameaças à acumulação capitalista… Qualquer dia ainda hão-de vir dizer que a água molha ou que o céu é azul.

Miguel Luís, Abrantes

Educação in(con)clusiva

Lidar com a crescente diversidade do público escolar é o maior desafio da escola pública em geral e dos agrupamentos em particular. Este problema acaba por se transferir quase na totalidade para os responsáveis de cada turma. São eles quem acarreta com todo o ónus da gestão das profundas diferenças. E isso agrava-se quando não se consegue a adequada rentabilização e coordenação com os respectivos coadjuvantes ou quando estes são insuficientes. A legislação para a organização educativa preconiza e salienta a possibilidade de flexibilizar o currículo para dar resposta a essa diversidade. Contudo, os alunos acabam por ser todos submetidos a provas de avaliação externa uniformes, como se tivessem de vestir um fato igual para todos. Isso faz com que apareçam os “pinto-calçudos”, a quem o fato fica grande demais, e os “esganiçados”, a quem o fato fica demasiado apertado. Com a referenciação para as medidas de educação inclusiva apenas se fazem uns ténues ajustes na aplicação das provas, pelo que as “costuras” continuam muito pouco flexíveis.

José M. Carvalho, Chaves

Vergílio e Virgílio

Vergílio Ferreira e Virgílio Bento. Visitei-os a ambos esta semana. Ao primeiro através da sua memória na aldeia natal de Melo e na biblioteca com o seu nome, em Gouveia. Ao segundo na RTP, no programa Primeira Pessoa, ao vivo. Que duas pessoas tão diferentes, que dois mundos antagónicos. O primeiro tão cérebro-espiritual, o segundo tão tecnológico e prenhe de inteligência artificial. Confesso que me deliciei com a magnífica visita guiada ao mundo de Para Sempre, e me “petrifiquei” com o discurso do homem que “vale quatro mil milhões de dólares”. É neste “cisma” global que vivemos no mundo de hoje. Os dados estão lançados, mas prefiro o primeiro, pois ninguém me convence que viverei eternamente, nem que o crescimento é infinito num mundo finito.

Fernando Cardoso Rodrigues, Porto

Inflação: o preço da covardia

Como qualquer outro problema, a inflação pode combater-se nas suas causas e nas suas consequências. Ora, as causa actuais da inflação resultam da agressividade expansionista americana, de que a guerra com o Irão e o encerramento do estreito de Ormuz são as consequências. O combate à inflação actual na sua origem, passa, portanto, pelo combate aos desvarios da Administração americana, que já demonstrou ser possível e resultar no caso da Gronelândia ou no impedimento do aumento de taxas alfandegárias; e, nesse combate, como diz Cavaco Silva, a União Europeia e Portugal não podem continuar a acovardar-se, como fizeram durante o genocídio de Gaza ou com a conivência no ataque ao Irão ao permitir o uso gratuito da base das Lajes. Estamos agora a pagar a factura da nossa própria covardia, colaborando com o fautor do desequilíbrio mundial e das inerentes consequências económicas, e, apesar disso ser evidente, o Governo apenas verbaliza a condenação do país dos ayatolas; ou seja, continua a fingir que não pode atacar a raiz do problema. A sombra de Pedro Sánchez evidencia a pequenez de Montenegro, e todos nós pagamos a factura.

José Cavalheiro, Matosinhos

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