Casa Branca demitiu novo responsável pela IA após apenas quatro dias no cargo

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Um investigador de inteligência artificial (IA) contratado pelo Departamento do Comércio para dirigir um importante centro tecnológico federal durou apenas quatro dias no cargo antes de ser substituído, de acordo com quatro pessoas familiarizadas com a situação.

Collin Burns, que anteriormente trabalhava na empresa de IA Anthropic, começou a trabalhar na segunda-feira no Centro de Padrões e Inovação em IA (CAISI, na sigla em inglês), mas foi afastado na quinta-feira pela Casa Branca, segundo as fontes, que falaram sob condição de anonimato para descrever conversas privadas.

Os responsáveis estavam preocupados com o facto de Burns ter trabalhado na Anthropic, que tem travado uma batalha acirrada com a Administração Trump nos últimos meses. Uma das fontes disse que algumas figuras de topo na Casa Branca não tinham sido informadas antecipadamente sobre a escolha de Burns e estavam preocupadas com o facto de alguém de um grande laboratório ocupar um cargo que exigisse trabalhar tão de perto com a indústria.

A demissão abrupta do investigador é, em parte, um reflexo do desafio que o Governo enfrenta ao recrutar os melhores especialistas em IA. A tecnologia desenvolvida pela indústria privada — dominada pela Anthropic, OpenAI e Google — avançou rapidamente, mais depressa que o meio académico e as agências federais, o que significa que há poucos especialistas externos que compreendam plenamente o campo. A situação é ainda mais complicada pela disputa da Administração com a Anthropic sobre como os seus sistemas podem ser utilizados pelas Forças Armadas, o que levou o Presidente norte-americano a criticá-la duramente: “Empresa radical de esquerda e woke”, escreveu Donald Trump, usando apenas maiúsculas.

O centro, que faz parte do Departamento do Comércio, foi lançado durante o mandato do Presidente Joe Biden como Instituto de Segurança da IA, sendo depois renomeado pela Administração Trump. É a principal ligação do Governo à indústria da IA e trabalha para avaliar os riscos de segurança nacional de novos modelos, como o sistema Mythos da Anthropic, que, segundo a empresa, possui capacidades de pirataria informática potencialmente perigosas.

O meio de comunicação conservador The Daily Signal foi o primeiro a noticiar que Burns tinha sido escolhido para dirigir o Centro de Padrões e Inovação em IA, na quinta-feira. A notícia foi recebida com entusiasmo nos círculos de IA, um sinal de que a Administração estava a recorrer aos melhores talentos técnicos para trabalhar nesta tecnologia.

“Fiquei entusiasmado ao saber que fizeram esta excelente escolha. O Departamento do Comércio compreende o que o CAISI precisa”, afirmou o blogger de IA Zvi Mowshowitz no X.

Mas o site de notícias actualizou rapidamente o artigo para informar que o Departamento tinha “decidido seguir outra direcção” e escolhido outro candidato para liderar o centro. A nova escolha foi Chris Fall, um cientista com uma longa carreira que abrange o Governo federal e o meio académico. Burns tinha sido convidado a demitir-se nessa tarde, de acordo com uma das pessoas familiarizadas com a situação.

A Casa Branca remeteu as perguntas para o Departamento do Comércio, mas este escusou-se a responder sobre a contratação de Burns. Em vez disso, destacou, em comunicado, que Fall “traz a liderança científica necessária para garantir que os Estados Unidos liderem o mundo na avaliação de modelos de IA e no avanço das normas técnicas que protegem a segurança nacional e económica.”

Burns estudou para um doutoramento em ciências da computação na Universidade da Califórnia em Berkeley, antes de sair mais cedo para se juntar à OpenAI em 2023. Mudou-se para a Anthropic no final de 2024, de acordo com o seu perfil no LinkedIn. Quando adolescente, Burns estabeleceu um recorde mundial pelo tempo mais rápido a resolver um cubo de Rubik, com 5,25 segundos, em 2015.

Dean Ball, um antigo conselheiro de IA da Administração Trump, afirmou nas redes sociais que Burns tinha abdicado de acções valiosas da Anthropic e que se tinha mudado para o outro lado do país para assumir o cargo no Governo, tendo sido “recompensado pelo seu país com um murro na cara”.

“Obviamente, o que aconteceu foi que Burns foi afastado devido à sua ligação com a Anthropic”, escreveu Ball. “Um autogolo estúpido, mas previsível.”

Há alguns sinais de que a relação entre a Anthropic e a Administração Trump está a aquecer. O modelo Mythos da empresa obrigou o Governo federal a lidar com os riscos de segurança informática colocados pela IA, e a Casa Branca recebeu o director-executivo da Anthropic, Dario Amodei, para conversações na semana passada. No entanto, as duas partes continuam a disputar em tribunal a decisão da Administração de classificar a empresa de IA como um risco para a segurança nacional.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

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