Plantel incompleto, apenas um treino, horários menos restritivos e dormida em casa. Podemos chamar dia -2 da selecção masculina de futebol ao que se passou nesta segunda-feira na Cidade do Futebol: o dia -1 será na terça-feira e o dia zero na quarta, com jogadores a iniciarem o estágio pré-Mundial em exercício de plenos poderes – e deveres.
Por enquanto, tudo é feito com calma. Um só treino, abertura à comunicação social durante 15 minutos e, nesses minutos, um trabalho feito apenas no plano físico. E mais do que isso: mental. O que se passou na Cidade do Futebol foi mais um momento de convívio activo do que propriamente um treino “a sério” de preparação para o Campeonato do Mundo – e seria sempre assim nos 15 minutos abertos, quanto mais não seja por ser o primeiro dia de trabalho.
O primeiro a chegar foi o capitão: Cristiano Ronaldo chegou por volta das 13h30, uma hora e meia antes das 15h agendadas pela federação. No treino, também ele liderou o processo, encabeçando o grupo na corrida inicial.
Os jogadores estiveram sorridentes, descontraídos e a fazerem exercícios sem grande carga física – e sem qualquer carga táctica. Houve conversa, corrida ligeira, uma brincadeira para “apanhada” e formação de pequenos grupos, muitos risos, algumas picardias e alongamentos.
O grupo que foi treinar a Caxias ainda não é aquele que estará alojado no Four Seasons Palm Beach, em Miami. Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos vão apresentar-se no sábado, já que estão a ter direito a sete dias de férias após a Liga dos Campeões conquistada no sábado.
De resto, todos estiveram por lá: os restantes 22 que vão estar na lista oficial da FIFA e o 27.º elemento, Ricardo Velho, que fará parte do grupo para ser solução em caso de má fortuna de algum dos guarda-redes – prerrogativa permitida pela FIFA em caso de lesões de “guardiões”.
Até a primeira conferência de imprensa nesta caminhada rumo ao Mundial foi feita em modo “light”. Foi curta e, sobretudo, foi desprovida de frases impactantes. O mais interessante terá sido quando Rúben Neves falou de uma possibilidade que não foi muito falada após a convocatória: actuar como central.
O jogador do Al Hilal fê-lo várias vezes no clube e lembrou que até na selecção já chegou a ajudar nesse papel. “Acho que é uma mais-valia para qualquer jogador poder jogar em duas ou mais posições. É verdade que este ano fiz muitos minutos como defesa-central, também por causa das lesões que tivemos no clube. Já não era a primeira vez que faria essa posição na selecção, sinto-me confortável. Sou um médio, mas estou disponível para ajudar a selecção, seja em que posição for”, disparou na Cidade do Futebol. E o cenário, dada a ausência de Palhinha e as limitações físicas de Rúben Dias, está longe de ser uma loucura.
Nesta terça-feira, a partir das 10h30, haverá novo treino em Oeiras com os mesmos 23 jogadores – e antes disso mais um atleta em conferência de imprensa.
No próximo sábado, pelas 18h45, no Estádio Nacional, Portugal vai defrontar a selecção do Chile – curiosamente, um jogo particular que ficou por disputar há 40 anos, no pré-Mundial 86, quando incapacidade financeira para pagar aos sul-americanos deixou a selecção portuguesa refém de um adversário, acabando a defrontar equipas locais amadoras, em Saltillo.
Dia 10, pelas 20h45, haverá jogo frente à Nigéria, em Leiria – o último desafio de preparação antes da estreia no Mundial frente ao Congo, no dia 17.
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