Combustíveis a caminho da segunda maior descida de preço em três meses

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O preço médio do gasóleo em Portugal poderá descer até 11 cêntimos por litro, a partir da próxima segunda-feira, de acordo com indicações dadas esta sexta-feira pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec) ao PÚBLICO. No caso da gasolina, a descida pode ir até aos seis cêntimos por litro, diz a vice-presidente daquela associação, Mafalda Trigo.

A confirmarem-se aqueles valores, será a segunda maior descida desde Março, ou seja, desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irão, que levou ao bloqueio do estreito de Ormuz e afectou a produção e transporte de petróleo desde o Médio Oriente para o resto do mundo. Até à data, a maior descida em termos médios, registou-se na semana iniciada a 1 de Junho. Nessa altura, a descida anunciada foi de 12 cêntimos por litro, tanto no gasóleo como na gasolina.

Porém, Mafalda Trigo alerta que os valores da próxima semana são, por agora, “apenas estimativas”, acrescentando que “os números finais” dependem do comportamento do mercado de crude até ao final do dia bem como da decisão que o Governo venha a tomar em matéria de desconto no imposto sobre produtos petrolíferos (ISP).

Portanto, quem for abastecer o depósito a partir de segunda-feira poderá deparar-se com descidas menos pronunciadas do que aquelas que, nesta altura, estão em cima da mesa. No passado recente, o Governo aproveitou muitas vezes a descida de preço nas bombas para reduzir o desconto no ISP. Bruxelas exige a eliminação total deste desconto, mas o executivo português tem resistido e, semanalmente, avalia qual o valor do ISP.

Na base desta variação de preços está a descida no preço da matéria-prima, o crude, que baixou de forma significativa nesta semana que está a terminar, reflectindo o acordo de paz entre EUA e Irão, que permitirá reabrir totalmente o estreito de Ormuz e deverá pôr fim aos ataques a infra-estruturas de produção ou transporte de petróleo e gás natural nos países do Médio Oriente.

EUA e Irão deveriam ter começado conversações de paz nesta sexta-feira, mas o encontro marcado para a Suíça foi cancelado. Mesmo assim, a descida acumulada no preço da matéria-prima, ao longo desta semana, assegura preços mais baratos em Portugal, a partir de 22 de Junho.

O barril de petróleo Brent estava a ser negociado na casa dos 79,40-79,80 dólares. Apesar de ter tocado em mínimos intradiários perto dos 78,80 dólares durante a manhã de sexta-feira, o mercado estabilizou nesta fasquia.

No cômputo geral da semana, que começou com o barril de Brent nos 85 dólares, regista-se uma queda acumulada de 8,5% a 9%. Ou seja, em percentagem, a descida do preço da matéria-prima ao longo da actual semana até é maior do que a de -6,9% na última semana de Maio, que deu origem à maior descida do preço nas bombas até agora (-12 cêntimos no litro de gasóleo e de gasolina).

Contudo, na descida de 1 de Junho, a quebra de 6,9% no Brent ocorreu após semanas consecutivas de forte acumulação de stock e refinação em alta no mercado europeu. A matéria-prima desceu menos em percentagem naquela semana específica, mas o mercado de refinados (gasolina e gasóleo já processados) estava completamente saturado pelo pânico anterior, gerando uma correcção em cadeia muito mais agressiva para escoar produto.

Na descida da próxima semana, a queda do Brent é maior em termos percentuais (-9%), mas como as refinarias já vinham a ajustar os preços gradualmente ao longo de Junho, o impacto na bomba dilui-se de forma diferente. Além disso, a gasolina desce menos (6 cêntimos) porque as margens deste produto estão mais pressionadas internacionalmente nesta altura do ano devido à época alta nos mercados de consumo que vão entrar na estação do Verão.

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