Comprimido da AstraZeneca para a obesidade ajuda doentes a perder 10,5% do peso

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A AstraZeneca anunciou esta segunda-feira que os doentes perderam 10,5% do peso corporal ao fim de 26 semanas num ensaio de fase intermédia de um comprimido experimental para a obesidade, numa altura em que a farmacêutica procura desafiar a Novo Nordisk e a Eli Lilly num mercado do emagrecimento em rápido crescimento.

A empresa afirmou que a perda de peso prosseguiu ao longo do tempo e que os adultos com obesidade ou excesso de peso que receberam a dose mais elevada de elecogliprona perderam 11,8% do peso ao fim de 36 semanas, a duração total do ensaio.

Os resultados detalhados sobre a elecogliprona, um comprimido de toma única diária, foram apresentados na reunião da American Diabetes Association, em Nova Orleães. Em Fevereiro, a farmacêutica tinha afirmado que o ensaio cumprira os seus objectivos primários e que avançaria para ensaios de fase avançada, mas não tinha adiantado pormenores.

Se tiver sucesso nesse ensaio e for aprovado, o medicamento poderá concorrer com o comprimido Wegovy, da Novo Nordisk, que gerou uma perda de peso de cerca de 14%, e com o comprimido Foundayo, da Eli Lilly, que proporcionou uma redução de peso de 12% num ensaio de fase avançada.

Os dados seguem-se aos resultados apresentados na mesma conferência pela Roche, que afirmou que os doentes perderam 22,7% do peso corporal ao fim de 48 semanas num ensaio de fase intermédia do seu injectável experimental para a obesidade, designado enicepatida.

Esse fármaco de dupla acção é semelhante ao Zepbound, da Eli Lilly, que proporcionou uma perda de peso superior a 20% ao fim de 72 semanas no seu ensaio clínico definitivo.

A empresa vê a elecogliprona como um pilar da sua estratégia para a obesidade e planeia explorar combinações com outros medicamentos destinados a tratar a obesidade e doenças associadas, como a diabetes, a doença renal e a doença cardíaca, disse à Reuters Sharon Barr, vice-presidente executiva de investigação e desenvolvimento em biofarmacêuticos da AstraZeneca.

O estudo da AstraZeneca envolveu 310 adultos com obesidade ou excesso de peso e, pelo menos, uma doença associada ao peso. Quase 89% dos doentes que receberam a dose mais elevada alcançaram uma perda de peso de, no mínimo, 5%, cumprindo outro dos objectivos do ensaio.

Na dose imediatamente inferior, de 50 miligramas, os participantes no ensaio perderam 8% do peso corporal às 26 semanas e 9% às 36 semanas.

A empresa indicou que os efeitos secundários mais comuns foram de natureza gastrointestinal, como náuseas e obstipação, habitualmente associados aos agonistas dos receptores de GLP-1, originalmente desenvolvidos para controlar o açúcar no sangue em doentes com diabetes tipo 2.

Acrescentou que os efeitos adversos mais frequentes com uma dose de 75 miligramas de elecogliprona foram náuseas (55%, contra 20% no grupo do placebo), obstipação (41%, contra 6% com placebo), diarreia (35%, contra 25%) e vómitos (27%, contra 5%).

“Tivemos uma taxa de descontinuação muito baixa, o que aponta verdadeiramente para a eficácia e a durabilidade desta terapêutica”, disse Barr.

Num ensaio distinto, realizado em pessoas com diabetes tipo 2, o medicamento cumpriu o seu objectivo primário de controlo do açúcar no sangue e, na dose mais elevada, de 75 miligramas, conduziu a uma perda de peso de 7,7% às 26 semanas.

A AstraZeneca licenciou a elecogliprona junto da chinesa Eccogene, no final de 2023, por um valor que pode chegar a cerca de dois mil milhões de dólares (1,73 mil milhões de euros.

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