Cristina Ferreira foi ao Jornal Nacional, da TVI, nesta terça-feira, 21 de Abril, para prestar explicações sobre as suas declarações no programa Dois às 10, no mesmo canal, acerca da violação de uma menor por parte de quatro influencers. A apresentadora de televisão não fez mea culpa, nem pediu desculpa, disse que “fez só uma pergunta”.
Em causa estavam as seguintes declarações: “Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve? Claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele ‘Não quero mais’.”
Questionada por José Alberto Carvalho sobre o tema e sobre como se sentia, Cristina Ferreira foi peremptória e quase conclusiva: “Primeiro, não foi um comentário, foi uma pergunta. Depois, queria dizer que estou bem”. Afasta que as reacções negativas aos seus comentários — que, além das publicações de várias figuras públicas nas redes sociais, mereceram pelo menos 4200 participações na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), inclusive dos pais da vítima — sejam despropositadas. A apresentadora limita-se a dizer que não reflectem aquilo que pensa e refugia-se na longevidade da sua carreira.
“Não reflectem aquilo que penso. Tenho mais de 20 anos de televisão, fiz milhares de perguntas sobre temas similares, permito-me estudar, ler e ouvir tudo o que me foram dizendo dentro dos âmbitos da psicologia, psicologia forense”, disse. Como o programa, que analisa casos judiciais, “chega a muitas pessoas, até a pessoas mais desinformadas”, por vezes diz explicar temas “de uma forma mais simplista”.
No momento, em directo, diz ter sentido “apenas a necessidade” de que lhe “explicassem o que pensam aqueles jovens que ouvem um não” e não cumprem. A directora de entretenimento e ficção da TVI julgava que “as pessoas já percebiam” a sua posição quanto a estes casos, mas, ao longo da semana, foi acusada várias vezes de ser machista, até por comentários que fez anteriormente. Sobre esse aspecto, relembra que se considera feminista: “Considero-me feminista porque nos meus 20 anos de televisão marquei uma posição clara: é possível mostrar, através do meu exemplo, e de outras mulheres, que uma mulher é capaz. Sou machista por querer perceber o comportamento de um violador?”, questionou.
Acerca do silêncio prolongado sobre a situação, mesmo após vários apelos para que se retratasse, Cristina relembra que dá “pouca importância” ao que dizem sobre ela e que só no dia seguinte percebeu que estava a ser “posicionada ao lado do violador”. Afirma que foi contra a emissão do comunicado na TVI e que não deu uma entrevista mais cedo porque no domingo “tinha um expulso para tirar da Casa [dos Segredos], segunda é dia de descanso e não queria que a entrevista fosse gravada”.
A apresentadora acabou a entrevista a passar uma mensagem contra o ódio online e diz que esta situação teve repercussões. “Não vou mentir, tenho feito o programa [Dois às 10] todos os dias a pensar nas perguntas que estou a fazer”, afirmou.
José Alberto Carvalho dá uma última oportunidade à apresentadora e pergunta-lhe se aquilo é um pedido de desculpas. “Não, é um lamento. Lamento, porque se tivesse escrito ou pensado podia ter escolhido outra formulação da pergunta”, concluiu Cristina Ferreira.
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