Dinamarca troca ministério da Agricultura por tutela da Natureza e Bem-Estar Animal

0
2

A Dinamarca tornou-se o único país da União Europeia sem uma pasta ministerial dedicada à agricultura. O tradicional ministério da Alimentação, Agricultura e Pescas foi formalmente extinto, dando lugar ao ministério da Natureza e do Bem-Estar Animal, distribuindo competências por um total de cinco ministérios.

A formação do novo governo resultou das eleições gerais de 24 de Março, que ficaram conhecidas na imprensa local como as “eleições dos porcos”, e de dois meses de negociações entre os quatro partidos do novo governo minoritário. O tema da sustentabilidade pecuária dominou os debates, nomeadamente a forte pressão ambiental do modelo de suinicultura intensiva, impulsionando a formação de uma nova coligação liderada pela social-democrata Mette Frederiksen, cujo programa assumiu o compromisso de travar o impacto ecológico da indústria agro-alimentar.

Os dados do Danmarks Statistik, organismo oficial de estatística dinamarquês, ajudam a ilustrar a dimensão do debate: a Dinamarca, com uma população humana que não chega aos seis milhões de habitantes,​ produz anualmente cerca de 30 milhões de leitões.

Pela primeira vez em mais de um século, assim, a Dinamarca não terá um ministro da Agricultura. Para que a nova pasta, liderada pelo ministro Christian Rabjerg Madsen, se possa concentrar exclusivamente na biodiversidade, regeneração de solos e direitos dos animais, o antigo pelouro da agricultura foi distribuído por cinco ministérios distintos, incluindo Empresas e Indústria, Justiça, Transportes e Ambiente.

O processo de transformação começou a ganhar força há dois anos, com um plano nacional de reorganização territorial — o histórico “Acordo Tripartido Verde” (Den Grønne Trepart), assinado em Junho de 2024 entre o governo dinamarquês, as confederações agrícolas e a Sociedade Dinamarquesa para a Conservação da Natureza.

O acordo, aprovado pelo Parlamento dinamarquês em Novembro de 2024, previa a conversão de aproximadamente 15% das terras agrícolas do país em florestas, zonas húmidas e outros habitats naturais ao longo das próximas décadas.

Vitória histórica vs. desastre económico

A criação da nova pasta ministerial gerou reacções opostas entre defensores do ambiente e representantes da produção industrial.

Em comunicado oficial, Britta Riis, directora da Dyrenes Beskyttelse, a maior e mais antiga associação de protecção animal da Dinamarca, celebrou a medida em tom histórico, num comunicado da instituição: “Nunca antes a Dinamarca teve um ministro responsável pelos mais de 200 milhões de animais na agricultura. Até agora, estes animais dependiam de ministérios onde os interesses da indústria e do cultivo se sobrepunham ao bem-estar animal.”

No sentido oposto, o Conselho Dinamarquês da Agricultura e Alimentação (Landbrug & Fødevarer​) manifestou preocupação com a extinção do ministério, anunciando que irá acompanhar de perto as consequências da nova arquitectura da tutela agrícola, agora repartida por cinco ministérios distintos. Citado em comunicado, Soren Sondergaard, presidente da L&F, pediu “cuidado para não criarmos mais burocracia e regras absurdas – precisamos de clareza, progresso e uma estrutura estável”.

Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com