Ébola: epidemia no Congo pode transformar-se em emergência humanitária incontrolável, avisa a ONU

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O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou nesta sexta-feira que a epidemia de ébola no Leste da República Democrática do Congo pode transformar-se rapidamente numa emergência humanitária incontrolável e pediu maior financiamento para ajudar a região.

“Sem uma acção rápida, coordenada e à escala, esta crise sanitária poderá transformar rapidamente a actual insegurança alimentar e crise de saúde numa emergência humanitária incontrolável no leste da República Democrática do Congo (R.D. Congo) e nas regiões vizinhas”, indicou o director do PAM na R.D. Congo, David Stevenson, citado em comunicado.

De acordo com a nota de imprensa, o risco de maior propagação da doença é agravado pela insegurança persistente, pelas deslocações de populações e pelos movimentos transfronteiriços.

“Este surto de ébola está a atingir comunidades que já se encontram sob extrema pressão: 26,5 milhões de pessoas em toda a R.D. Congo enfrentam insegurança alimentar aguda, incluindo perto de 10 milhões em níveis de crise ou emergência no leste do país”, referiu o PAM.

Segundo Stevenson, “este surto é uma corrida contra o tempo” e o PAM está a intensificar a sua resposta de emergência na região, trabalhando em conjunto com o Governo da R.D. Congo, nação vizinha de Angola, assim como com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre outros parceiros, para ajudar a conter a epidemia de Ébola “antes que uma emergência sanitária se transforme numa catástrofe de cariz humanitário mais ampla”.

Assim, segundo o PAM, o Serviço Aéreo Humanitário das Nações Unidas (UNHAS), que gere, “garante que a assistência vital chega às comunidades afectadas pelo ébola, mesmo nas áreas mais remotas”.

O PAM frisou que já ajudou no transporte de centenas de profissionais de primeira resposta e trabalhadores humanitários, bem como de dezenas de toneladas métricas de carga médica essencial para as zonas da linha da frente. “O PAM está também a aumentar a assistência alimentar e nutricional de emergência para mais de 146.000 pessoas na província de Ituri [no leste da R.D. Congo] e nas comunidades afectadas pelo ébola”, acrescentou.

“Conter o Ébola exige mais do que apenas tratamento (…), exige alimentos, acesso, transporte e logística para que as equipas da linha da frente se possam mover rapidamente e as famílias afectadas possam seguir as medidas de saúde pública em segurança”, afirmou.

Para continuar a sua ajuda humanitária na região, o PAM necessita urgentemente de cerca de 175 milhões de dólares (cerca de 161,5 milhões de euros) para os próximos seis meses para continuar as suas operações vitais no leste da R.D. Congo, e de 23 milhões de dólares (cerca de 21,2 milhões de euros) para reforçar a logística e a assistência alimentar de emergência a mais de 146.000 pessoas na província de Ituri e nas comunidades afectadas pelo Ébola ao longo dos próximos três meses.

A actual epidemia de ébola está ligada à estirpe Bundibugyo, que tem uma taxa de mortalidade entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a OMS, que estima que o vírus tenha provavelmente começado a circular em Ituri há dois meses.

Fora da R.D. Congo, o Uganda confirmou dois casos (importados da R.D. Congo) em Kampala, um dos quais resultou em morte, e o Sudão do Sul está a realizar mais testes laboratoriais para confirmar um caso suspeito reportado pelas autoridades no estado de Equatória Ocidental, perto da fronteira com Kinshasa.

Nesta sexta-feira, o Ruanda proibiu a entrada no país de cidadãos estrangeiros que tenham viajado ou transitado pela R.D. Congo nos últimos 30 dias, para prevenir a propagação do surto de ébola declarado há uma semana no leste daquele país.

A OMS declarou o surto como uma “emergência de saúde pública de importância internacional” no passado domingo e alertou nesta sexta-feira que o risco da epidemia de ébola na R.D. Congo passou de “elevado” para “muito elevado”, o nível máximo de alerta, enquanto os riscos a nível regional permanecem inalterados.

O vírus ébola transmite-se por contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.

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