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O ministro da Presidência do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro, admitiu, nesta quinta-feira, 4 de junho, que está havendo redução no número de brasileiros que vivem em Portugal. Segundo ele, a diminuição da comunidade brasileira no país condiz com a tradição dos fluxos entre os dois países, mas também com as dinâmicas econômicas e as novas regras migratórias.
Para o ministro, tal movimento não surpreende, uma vez que esse “era o grande objetivo das políticas migratórias” aprovadas desde 2024, com o aperto “de regras e mais segurança”, mas “sem fechar as portas”. Ele acrescentou: “Toda a imigração brasileira teve períodos de subida, períodos de estabilização e períodos de ligeira descida ou mesmo descida em função do fluxo econômico”.
Pelos dados mais recentes divulgados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), referentes a dezembro de 2024, há cerca de 500 mil brasileiros vivendo em território luso. O Itamaraty, porém, fala em 700 mil, quando, na conta, entram aqueles com dupla nacionalidade. Na visão de Leitão Amaro, os números apontam, “sobretudo, para a uma situação de estabilização”. Ou seja, as entradas de brasileiros para morar em Portugal já se equiparam aos retornos para o Brasil.
A volta de brasileiros para o Brasil, inclusive, vem sendo acompanhada de perto pela embaixada do país em Portugal, movimento atribuído pelos diplomatas às questões migratórias, aos altos preços dos aluguéis e aos baixos salários — em Lisboa, a média de preços dos arrendamentos de moradia supera o salário mínimo de 920 euros.
Economia brasileira
O ministro ressalta que o bom momento da economia do Brasil também está na base do desejo de brasileiros de cruzarem de volta o Atlântico. Nos últimos três anos, diz o economista Felipe Salto, da Warren Investimentos, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil acumulou avanço de 9% e deve crescer pelo menos 2% em 2026. “Além disso, o desemprego está nos níveis mais baixos da história”, frisou ele ao PÚBLICO Brasil.
Leitão Amaro sublinhou: “O Brasil é economicamente superior quando comparado, por exemplo, a países africanos, da Ásia e mesmo com as condições de vida de vários países latino-americanos. Assim, quando a sua economia acelera um pouco, os incentivos ao regresso também aumentam”.
Por outro lado, reforçou o ministro, “sabe-se que as regras de imigração em Portugal se tornaram mais exigentes, as portas não estão escancaradas e também não estão todas fechadas, mas é mais exigente o processo”. Portanto, disse ele, “é normal que os fluxos migratórios respondam a isso”.
Relatos
Ao PÚBLICO Brasil, a empresária Sílvia Caetano disse que decidiu retornar para o Brasil depois de 21 anos vivendo em Portugal. Ela ressaltou que, por muitos anos, foi feliz no país que escolheu morar e onde fez excelentes amigos. Mas, diante do excesso de burocracia para manter sua empresa de pé, depois de ter sido destruída pelas enchentes de dezembro de 2022, resolver encerrar os negócios e concentrar suas atenções nas operações que mantém em Brasília. Sílvia embarcou para a capital brasileira em 29 de maio último.
Já a carioca Patrícia Caldeira desistiu de esperar pela renovação da autorização de residência em Portugal. Ela havia migrado para o país em 2022 para um mestrado em história. O curso acabou, o documento venceu e ela cansou de aguardar pela AIMA. “Foram quase dois anos tentando agendar a renovação da minha residência, mas não consegui. Preferi retornar ao Brasil no início de 2026, pois, para mim, é inaceitável ficar em uma situação irregular ou de vulnerabilidade”, assinalou.
Outro brasileiro que decidiu fazer o caminho de volta foi o técnico de mineração Gustavo Guerra. Depois de morar seis anos entre a região do Algarve e Cascais, ele regressou para Minas Gerais, sua terra natal. “Eu voltei porque já estava meio cansado de Portugal”, destacou. Além das dificuldades para arrumar emprego em solo luso, ele foi vítima de um ataque de xenofobia incentivado pela extrema-direita, que hoje detém 60 deputados na Assembleia da República.
Em recentes declarações, o cônsul-geral do Brasil em Lisboa, Alessandro Candeas, disse que o órgão vem identificando um aumento no número de brasileiros que estão em busca de ajuda para regressar ao Brasil. Ainda sem dados consolidados sobre esses pedidos, ele diz que o apoio tem vindo da Organização Internacional das Migrações (OIM) e do programa FRONTEX, da União Europeia. “São programas que, inclusive, dão passagens de retorno ao Brasil para pessoas que, de alguma forma, se colocaram em situação de vulnerabilidade.”
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