O grupo EDP mexeu na organização internacional: a casa-mãe vai concentrar as actividades desenvolvidas no Brasil, que antes dividia com a EDP Renewables (antiga Renováveis). Já a Renewables sairá do sul do continente americano para centralizar a operação nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa. O negócio na base da mudança envolve 675 milhões de euros. Como é um negócio entre partes relacionadas, a operação, a concluir até ao fim do ano, teve de passar por crivos internos.
Até aqui, a EDP estava presente no Brasil por via directa (através da EDP Brasil, que controla a 100%) e indirecta, através da EDP Renewables (da qual é dona de 71% do capital) que, por sua vez, detém a totalidade EDP Renováveis Brasil. O acordo comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta quarta-feira, 20 de Maio, foi a venda, pela EDP Renewables, de 100% da EDP Renováveis Brasil. A compradora é a EDP Brasil.
Ou seja, a Renewables deixa de ter ligações ao Brasil, operação que fica a ser exercida apenas pela EDP. Ao adquirir a carteira de activos com capacidade eólica e solar de 1,8 GW (gigawatts), a EDP Brasil passa a concentrar as operações de produção, negociação de contratos e fornecimento de electricidade naquele mercado.
O grupo EDP “reforça a agilidade, competitividade e capacidade de gestão de risco da EDP no mercado livre de electricidade brasileiro, que se encontra em desenvolvimento, com a liberalização gradual dos segmentos de pequenas e médias empresas e retalho”, segundo o comunicado da eléctrica presidida por Miguel Stilwell à CMVM.
A EDP Renováveis Brasil, que passa da Renewables para a EDP Brasil, tem um valor calculado de cerca de 1,5 mil milhões de euros, mas a EDP pagará à sua subsidiária Renewables apenas cerca de 675 milhões de euros, ao câmbio actual (4,1 mil milhões de reais, no original), ainda que o montante esteja sujeito às potenciais variações previstas nestas transacções.
A Renewables, que além do controlo da EDP conta com o fundo soberano de Singapura e a gestora americana BlackRock como outros accionistas, sai do Brasil, onde o plano de negócios até 2028 não contemplava qualquer crescimento de capacidade, havendo, aí, “limitadas perspectivas de mercado para o desenvolvimento de projectos renováveis”.
A saída deverá concretizar-se até ao fim deste ano, e é mais rápida por ser a venda a uma entidade de dentro do grupo: “menores custos de transacção, maior velocidade de execução, maior grau de certeza na concretização e um processo mais simplificado para o cumprimento das condições precedentes”, segundo a avaliação que teve de ser feita internamente pelo comité de auditoria, controlo e partes relacionadas da Renewables, para evitar conflitos de interesse e assegurar o negócio feito em condições de mercado.
Com as verbas recebidas, a Renewables vai focar-se em mercados com maior foco no eólico, solar e baterias, “maioritariamente nos Estados Unidos da América e na Europa”.
No mercado dos Estados Unidos, a EDP Renewables teve de sair recentemente de parcerias que visavam o desenvolvimento de energia eólica na costa americana; mas isso não quer dizer que a eléctrica continue a olhar para aquele mercado.
“Os EUA são o nosso maior mercado e de maior crescimento. Continuamos a ver potencial, em particular no solar e nas baterias que continua a crescer muitíssimo lá – 60% do nosso investimento nas renováveis vai para os EUA”, segundo declarou o presidente executivo do grupo, Miguel Stilwell, numa entrevista publicada esta quarta-feira, pelo Jornal de Negócios.
“Na parte eólica, há resistência maior por parte desta administração, principalmente offshore [na costa], mas também onshore [em parques em terra]. Felizmente, isso não faz parte do nosso plano até 2028. Mantemos o nosso investimento nos EUA e temos vindo a calibrar mais para solar e baterias”, continuou o responsável nessa mesma entrevista. Os centros de dados têm sido vistos como um dos principais focos de desenvolvimento da operação das empresas do mundo da energia.
A EDP Renewables (o novo nome da empresa, que deixou para trás o nome português Renováveis) tem estado a subir mais de 4% na negociação bolsista desta quarta-feira, a primeira após o anúncio da reestruturação. A EDP tem estado também a ganhar valor na Bolsa de Lisboa, mas de forma mais tímida, com valorização abaixo de 1%.
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