À porta das escolas Clara de Resende e Fontes Pereira de Melo, no centro do Porto, a maioria dos alunos consideram que o exame nacional de Português do 9.º ano “foi dentro do esperado” ou até mais acessível do que antecipavam. “Foi mais fácil do que esperava. Fui com expectativas baixas, mas saí a pensar que me correu bem”, resume Alice Portas, de 14 anos, da Escola Secundária de Clara de Resende.
A aluna destaca que a prova seguiu uma linha semelhante à dos anos anteriores, mais centrada na interpretação do que na memorização de conteúdos. “Aquilo era à base da interpretação, pouca gramática”, explica. Para se preparar, esta aluna recorreu a fichas de apoio, exames-modelo e ao manual, que a ajudaram a rever conteúdos gramaticais, embora admita que “podia ter estudado mais”.
A opinião é semelhante na Escola Secundária de Fontes Pereira de Melo. Beatriz Ribeiro, de 15 anos, conta ao PÚBLICO que “não saiu muito” sobre Os Lusíadas, de Luís de Camões – um excerto do episódio de Inês de Castro –, e que o exame se centrou sobretudo em gramática e interpretação.
Apesar da avaliação globalmente positiva, algumas perguntas levantaram mais dificuldades. Na Clara de Resende, Débora Alves, de 15 anos, aponta como maior dificuldade uma questão que exigia identificar o tema da passagem de Os Lusíadas e explicá-lo por palavras próprias. Débora passou as duas semanas que antecederam o exame a estudar e pensa que “correu bem”.
Ainda assim, a principal crítica da aluna dirige-se ao formato digital das provas. “Há alunos que perdem muito tempo” devido às falhas de conexão ou à lentidão do sistema, conta. “Acho que os exames deviam voltar a ser feitos em papel e não no computador, porque não é uma coisa muito prática”, defende.
A colega Francisca Lacerda, de 16 anos, concorda. “Eu tive muitos problemas e tive de trocar três vezes de computador. E, mesmo assim, tive de trocar de sala”, relata. A aluna começou a prova “quase 20 minutos depois” dos colegas devido aos problemas técnicos. Embora não tenha sido penalizada, considera que “não faz sentido” que o exame seja em formato digital.
Apesar dos problemas tecnológicos, a jovem considera que a oralidade foi “fácil” e que as perguntas sobre orações eram acessíveis para quem tinha estudado a matéria. Já a produção escrita – um texto de opinião sobre como aproximar a geração mais nova dos livros e incentivar os hábitos de leitura – foi a parte da prova que lhe pareceu mais simples. Para se preparar, dedicou cerca de quatro horas diárias ao estudo desde o final das aulas.
Mas nem todos seguiram planos de estudo tão intensivos. Benedita Resende, de 14 anos, confessa ter estudado “mais ou menos, não muito” e encontrou no texto de opinião o maior desafio da prova. Já Gustavo Mota, da Fontes Pereira de Melo, deixou a preparação para a véspera. Quando questionado sobre quando começou a estudar, respondeu sem filtros: “Ontem”, admite entre risos. “Mas estudei o dia todo”, ressalva.
O exame de Português do 9º ano realizou-se nesta quarta-feira, em dois turnos – às 9h30 e às 12h. Segue-se o de Matemática, marcado para a próxima segunda-feira, 22 de Junho, também este às 9h30 (turno I) e às 12h (turno II).
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