Escritora Lídia Jorge distinguida com Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia

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A escritora portuguesa Lídia Jorge foi distinguida com o Prémio Estatal Austríaco de Literatura Europeia deste ano, pelo conjunto da sua obra, anunciou esta terça-feira o Ministério austríaco da Cultura.

O prémio, no valor de 25 mil euros, vai ser entregue à escritora no dia 27 de Julho, numa cerimónia inserida no Festival de Salzburgo.

“Lídia Jorge é uma das escritoras mais destacadas da literatura europeia contemporânea; a sua obra é tão versátil e ramificada quanto significativos e omnipresentes são os seus temas”, disse, citado no comunicado do Ministério da Cultura, o ministro Andreas Babler.

O governante austríaco lembrou que, ao longo da carreira, Lídia Jorge tem lutado, através da sua escrita, “numa forma altamente poética pela igualdade dos povos”.

O júri foi composto por Cristina Beretta, Thomas Keul, Thomas Macho, Marlene Streeruwitz e Andrea Zederbauer.

Na declaração do júri, pode ler-se que “a crítica ao colonialismo europeu é um dos temas básicos da literatura de Lídia Jorge, como é a análise da desigualdade social e da pobreza, discriminação contra mulheres, racismo ou a Revolução dos Cravos de 1974”.

Nascida há 79 anos em Boliqueime, no Algarve, Lídia Jorge estreou-se em 1980 com o romance O Dia dos Prodígios. Seguiram-se títulos como O Cais das Merendas (1982), Notícia da Cidade Silvestre (1984), A Costa dos Murmúrios (1988), O Vento Assobiando nas Gruas (2002), Estuário (2018) e Misericórdia (2022), distinguido com vários prémios nacionais e internacionais, incluindo o Prémio Médicis estrangeiro e o primeiro a ser atribuído a um autor de língua portuguesa.

Além de inúmeros romances, da sua bibliografia fazem igualmente parte colectâneas de contos, obras de literatura infantil, de ensaio, de teatro, de poesia e de crónicas.

Lídia Jorge recebeu vários prémios literários portugueses e internacionais, entre os quais o Prémio FIL de literatura em Línguas Românicas em 2020, de Guadalajara, um dos mais importantes da América Latina. Foi Prémio Pessoa 2025, ano em que presidiu às comemorações do 10 de Junho.

No começo do mês, o Governo português atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural.

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