A operação dos Estados Unidos para libertar os navios retidos no estreito de Ormuz devido ao bloqueio iraniano mobilizará mais de 100 aeronaves, contratorpedeiros, drones e 15 mil efectivos militares a partir desta segunda-feira, 4 de Maio, numa altura em que a agência britânica de Operações Marítimas Comerciais (UKMTO), que monitoriza a segurança de navios e marinheiros em todo o mundo, registou dois ataques contra petroleiros no estreito de Ormuz em menos de 24 horas.
A missão que foi denominada, segundo Donald Trump, Projecto Liberdade, terá início na segunda-feira, informou o chefe de Estado norte-americano, no domingo, numa mensagem na rede social que detém, Truth Social, depois de “países de todo o mundo” terem solicitado a ajuda dos EUA para permitir a passagem segura dos respectivos navios.
Segundo o Presidente, muitos dos países com navios bloqueados são inocentes e não têm qualquer relação com o conflito no Irão, pelo que os Estados Unidos entendem a escolta pelo estreito de Ormuz como um “gesto humanitário”, no qual instam o Irão a participar. “Informámos esses países que iremos guiar os seus navios em segurança por estas vias navegáveis”, escreveu o Presidente norte-americano.
Entretanto, o Comando Central do Exército dos Estados Unidos (Centcom), responsável pelas operações dos EUA na região, informou que participarão “contratorpedeiros com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves com base em terra e no mar, plataformas autónomas [drones] de domínio múltiplo e 15 mil militares”.
“O nosso apoio a esta missão defensiva é essencial para a segurança regional e a economia global, ao mesmo tempo que mantemos o bloqueio naval”, afirmou o comandante do Centcom, Brad Cooper.
O comando acrescentou que o estreito de Ormuz é um corredor comercial essencial, que serve de passagem para um quinto do comércio mundial de petróleo por via marítima e “volumes significativos” de combustível e fertilizantes.
Trump fala em “discussões muito positivas” com o Irão
Segundo a UKMTO, o último ataque aconteceu a navios no estreito de Ormuz aconteceu às 20h40 de domingo (hora de Lisboa), quando um petroleiro, de bandeira não identificada, foi atingido “por um projéctil desconhecido”, sem causar feridos entre a tripulação nem impacto ambiental.
O incidente ocorreu a 78 milhas náuticas (cerca de 144 quilómetros) a norte de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, segundo a agência britânica, que pediu aos navios que transitam pela zona para redobrarem as precauções e informarem a agência de qualquer actividade suspeita.
Horas antes, às 12h30 (hora de Lisboa), a UKMTO informou que várias embarcações de pequeno porte atacaram um graneleiro que navegava ao largo da costa da cidade de Sirik, no sudoeste do Irão, com destino ao norte do estreito de Ormuz.
Na Truth Social, o Presidente disse que os Estados Unidos estavam a ter “discussões muito positivas” com o Irão, que “poderiam levar a algo muito positivo para todos”. “Os meus representantes estão a ter discussões muito positivas com o Irão, e estas discussões podem levar a algo muito positivo para todos”, escreveu Donald Trump.
Desde 28 de Fevereiro, quando teve início a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a UKMTO recebeu 46 relatos de incidentes que afectam navios que operam no golfo Pérsico, no estreito de Ormuz e no golfo de Omã, dos quais cerca de 20 foram associados a “actividades suspeitas” com envolvimento de projécteis.
Um cessar-fogo está em vigor desde 8 de Abril, após quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão e ataques de retaliação de Teerão na região, mas as negociações entretanto paralisaram. As duas partes continuam a manter um bloqueio selectivo do estreito de Ormuz, uma via estratégica para o comércio global de petróleo e gás, pela qual, em tempos de paz, circula cerca de 20% das energias fósseis mundiais.
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