Ex-argumentista de Matlock processa CBS por comentários discriminatórios e sexuais

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John Lowe, que até Julho do ano passado fez parte da equipa de argumentistas da nova versão da série judicial Matlock, que em Portugal é exibida pelo canal Star Life, processou a CBS Studios, produtora do canal, assim como a showrunner Jennie Snyder Urman, responsável pela gestão criativa da série, e os produtores executivos Jeffrey Lieber e Nicki Renna. No processo, que deu entrada esta quarta-feira num tribunal na Califórnia, estes são acusados de terem fomentado um ambiente de trabalho hostil e assente no assédio, dirigindo múltiplos comentários “sexualmente explícitos e discriminatórios” ou estereotipados não apenas a Lowe, como a outros elementos negros da equipa.

O argumentista alega que, pouco após ter entrado para a equipa do projecto, ouviu dizerem-lhe que o tamanho do seu calçado e a sua etnia significavam que ele era “prendado lá em baixo”. Cita também uma ocasião em que Nicki Renna, frustrada com o actor Eme Ikwuakor, terá dito que este “mal sabia ler”. A mesma produtora executiva é acusada de, noutro incidente, ter ligado a Lowe fora de horas dizendo que se encontrava na cama e que apenas tinha vestida a sua roupa interior.

Jennie Snyder Urman, por sua vez, é acusada, por exemplo, de ter coagido John Lowe a ficar com o seu cão durante quase um ano. No dia em que a showrunner de Matlock chegou ao local de trabalho com o animal, comentou, acusa o processo, que os seus filhos não gostavam da sua “estética”, referindo-se ao pêlo negro. “Enquanto tiveres este cão, terás sempre um lugar aqui”, terá Urman dito a Lowe.

A tensão, de acordo com a queixa do argumentista, atingiu um ponto de ruptura em Junho de 2025, quando Lowe perguntou à showrunner se a equipa assinalaria o Juneteenth, feriado norte-americano que comemora o dia da emancipação dos escravos. Jennie Snyder Urman ter-se-á, em resposta, referido ao dia como “Coonteenth”. “Coon”, diminutivo de “raccoon” (que significa “guaxinim”), é um termo insultuoso usado para atacar uma pessoa negra de forma pejorativa.

Lowe afirma que o seu contrato chegou a um fim prematuro no mês seguinte — duas semanas antes, havia levantado preocupações sobre a forma como estava a ser gerida a equipa de argumentistas. O profissional descreve o despedimento como um acto de retaliação. Em declarações à revista The Hollywood Reporter, Lowe desabafa sobre as dificuldades de ser um criativo negro numa sala de argumentistas: “Ou és tratado como uma ameaça ou és tratado como um animal de estimação.”

“Estamos empenhados em manter um ambiente seguro e respeitoso para todos, e encaramos todas as queixas feitas no local de trabalho com seriedade. Neste caso, foi levada a cabo uma investigação interna minuciosa, e não encontrámos suporte para as alegações”, referiu em comunicado a CBS Studios. Este processo surge pouco depois de o actor David Del Rio ter sido afastado de Matlock por agressão sexual, num incidente que envolveu uma mulher não identificada do elenco.

Quando, no Verão passado, a fusão entre os estúdios de entretenimento Paramount e Skydance teve luz verde da Comissão Federal das Comunicações dos Estados Unidos, foi anunciado que seria colocado um “fim às políticas discriminatórias de DEI [Diversity, Equity, and Inclusion, criadas para corrigir problemas históricos e sistémicos que impedem grupos marginalizados de aceder a posições dignas no mercado de trabalho]”. A Paramount detém a CBS.

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