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A empresa de consultoria portuguesa Retail Mind, que tem 40 colaboradores em nível global, avança com um novo ciclo de expansão no Brasil, apostando em um modelo integrado de atuação no varejo e no desenvolvimento de projetos imobiliários. A operação no país está sendo liderada pela executiva brasileira Manoela Whitaker, que assumiu recentemente a gestão-geral com o objetivo de estruturar o crescimento da empresa de forma qualificada, priorizando projetos com potencial de escala e consolidação internacional. A expectativa é posicionar o Brasil como eixo estratégico para a atuação global da companhia, ampliando a presença de marcas locais e internacionais em um mercado considerado chave.
A empresa mantém escritório no Brasil desde 2023 e vinha preparando a sua entrada de forma gradual, com foco na compreensão das especificidades do mercado. Segundo o CEO Vítor Rocha, a estratégia passa por alinhar a experiência internacional da empresa às dinâmicas locais, criando uma operação adaptada à realidade brasileira.
“A Retail Mind concentra em si todo o processo. Faz a consultoria, mas também a gestão e a operacionalização. Atuamos desde a fase jurídica de entrada num país até ao design do layout da loja, passando pela gestão contínua desse espaço. Delineamos, igualmente, as melhores estratégias para a expansão de uma determinada marca num dado mercado. Uma visão integrada, o que costumamos chamar uma visão 360 graus, com acompanhamento contínuo, durante o período de relação da marca com o centro comercial”, destaca o CEO.
Esse modelo integrado, diz Vítor, diferencia a atuação do projeto, que combina consultoria estratégica com execução operacional, abrangendo desde a entrada em novos mercados até a gestão contínua dos ativos. Além do varejo, a companhia também atua no segmento de real estate, estruturando e gerindo projetos em parceria com investidores e fundos, inclusive como co-investidora.
Adaptação cultural
No Brasil, a organização identificou setores prioritários para atuação, como moda esportiva, cosméticos, entretenimento e alimentação. “O mercado brasileiro denota uma determinada apetência por esses três segmentos, mas acreditamos que existem outras áreas a explorar. Uma delas é a de restaurantes. Analisando o mercado, há oportunidade na área do food & beverage (alimentação e bebidas) em contexto de shoppings”, afirma Vítor. Nesse contexto, desenvolve estratégias que conectam marca, experiência e rentabilidade.
Um dos primeiros casos concretos no Brasil, detalha o executivo, envolve a marca Danki, especializada em curadoria de tênis, que já conta com 40 lojas em território brasileiro e tem plano de expansão com a abertura de novas unidades. A iniciativa ilustra a estratégia da consultoria de atuar diretamente na escalabilidade de marcas com potencial de crescimento estruturado.
Divulgação
A adaptação cultural é apontada como um dos principais desafios para empresas estrangeiras que buscam operar no Brasil, informa o CEO da Retail Mind. Para ele, a proposta da empresa é justamente reduzir essas barreiras, ajustando o posicionamento das marcas sem comprometer sua identidade original.
“No sentido inverso, com a ajuda da Manoela, que conhece como poucos a realidade brasileira, identificamos um erro histórico, que é a da subestimação das diferenças culturais, isto é, fazer a operação como se estivessem entrando em mais uma região do Brasil. O produto não pode perder o DNA brasileiro, mas tem de elevar padrões para competir em mercados mais exigentes e mais regulados”, ressalta Vítor.
Por outro lado, a internacionalização de marcas brasileiras também faz parte da estratégia da empresa, com Portugal sendo apontado como porta de entrada para a Europa. Questões como sustentabilidade, design e identidade de marca são consideradas determinantes nesse processo de expansão.
Potencial de mercado
À frente da operação brasileira, Manoela Whitaker destaca o potencial do mercado local, especialmente pela resiliência do varejo e valorização crescente da cultura nacional. A executiva também aponta oportunidades no setor imobiliário, especialmente na implementação de retail parks (centros comerciais a céu aberto que reúnem várias lojas).
“A empresa pretende atrair e estruturar até R$ 650 milhões (110,435 milhões de euros) para o segmento de real estate no Brasil, focando na construção de retail parks. Essa segunda fase do projeto de expansão da operação da Retail Mind no país tem previsão para ganhar força a partir do último quadrimestre de 2026. Nos projetos planejados pela Retail Mind Group, a área bruta locável deve variar entre oito mil e 25 mil metros quadrados, em terrenos que podem chegar, em alguns casos, a 60 mil metros quadrados”, explica ela.
Os projetos preveem unidades comerciais de diferentes dimensões, voltadas para operações de conveniência, incluindo supermercados, farmácias e lojas especializadas. Paralelamente, segmentos como food & beverage, moda feminina, moda esportiva, health & beauty (saúde e beleza), entretenimento e calçados estão entre os focos prioritários da companhia.
A executiva também ressalta que a operação no Brasil foi estruturada com profissionais experientes do setor. “Minha experiência prévia no mercado de luxo e de grandes shoppings, sendo ex-executiva do grupo Iguatemi, me trouxe essa bagagem, liderando negociações de alto impacto e relações institucionais, que trago para a Retail Mind. A operação montada no Brasil trouxe outras executivas de peso oriundas do Carrefour, Multiplan e BRMalls”, afirma. Segundo Manoela, a análise criteriosa dos negócios — incluindo avaliação financeira e viabilidade — é central para garantir a sustentabilidade da expansão.
A estratégia da Retail Mind no Brasil privilegia qualidade em detrimento de volume, com foco em um portfólio seletivo de marcas, conforme afirma Manoela. “A proposta não é ter uma quantidade massiva de clientes, mas sim dedicar tempo e atenção máxima aos processos de expansão de cada parceiro. A perspectiva é fechar o ano de 2026 com um portfólio de cerca de 15 marcas, garantindo que cada negócio fechado faça realmente sentido com a estratégia da consultoria e garanta um crescimento sustentável”, destaca.
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