Filme Banzo foi o mais premiado nos Sophia da Academia Portuguesa de Cinema

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O filme Banzo, de Margarida Cardoso, foi o mais premiado pela Academia Portuguesa de Cinema nos prémios Sophia, atribuídos na sexta-feira em Lisboa, incluindo o de Melhor Realização e Melhor Filme.

Banzo, produzido por Filipa Reis (Uma Pedra no Sapato), partia como favorito a esta 15.ª edição dos Sophia e foi distinguido em dez das 14 categorias nas quais estava nomeado.

Além da realização, Margarida Cardoso foi igualmente premiada pela escrita do argumento original, no qual aborda a herança do colonialismo português em África.

A história de Banzo passa-se no início do século XX, numa ilha tropical africana e retrata a relação violenta entre colonos e negros em trabalho escravo e que sofrem de uma profunda tristeza.

Numa das vezes em que subiu ao palco, Margarida Cardoso disse que tentou dar voz a histórias violentas “que continuam silenciadas”.

Banzo, que já tinha sido candidato de Portugal a uma nomeação para os Óscares, mereceu ainda os prémios Sophia em categorias como Montagem, Direcção de Arte, Fotografia e Actriz Coadjuvante, este para Cirila Bossuet, na estreia absoluta em cinema.

Este ano, pela primeira vez a Academia Portuguesa de Cinema atribuiu um Sophia para Melhor Filme de Comédia, distinguindo Sonhar com Leões, uma comédia negra que aborda a eutanásia, realizada por Paolo Marinou-Blanco.

Na representação, Joana Santos foi eleita Melhor Actriz Protagonista, pelo filme On Falling, de Laura Carreira, e José Martins venceu o Sophia de Melhor Actor Protagonista em A memória do cheiro das coisas, de António Ferreira.

Nuno Lopes conquistou o prémio de Actor Coadjuvante pelo filme Lavagante, de Mário Barroso.

Margarida Cardoso durante a rodagem de Banzo
Vasco Viana

O Sophia de Carreira foi atribuído ao actor Rui Mendes, que, no discurso de agradecimento, disse que gostaria de ter feito ainda mais cinema nos quase 70 anos de carreira profissional, mas que viveu “obcecado, comprometido com o teatro”.

Com a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, presente na cerimónia, Rui Mendes, 88 anos, alertou que “um país que não apoia o seu cinema, o seu teatro, a sua cultura deixa de ser um país. É um país sem país”.

O Sophia de Melhor Série de televisão foi atribuído a Casa Abrigo, de Mário Laranjeira, exibida na RTP e inspirada em histórias de mulheres que tentam ultrapassar situações de violência doméstica, e o de Melhor Documentário foi para A mulher que morreu de pé, de Rosa Coutinho Cabral, sobre a escritora Natália Correia.

A 15.ª edição dos Sophia começou com a entrega das categorias de curta-metragem: A de documentário foi para Joana Botelho (Estava escuro na barriga do lobo), a de animação para Marta Reis Andrade (Cão Sozinho) e a de ficção para Justin Amorim (Tapete Voador).

Na cerimónia, que decorreu no grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a actriz Carla Chambel, que assumiu este ano a direcção da Academia Portuguesa de Cinema, lembrou o tempo “de grande reconhecimento internacional” do cinema português, mas pediu maior aproximação dos espectadores ao seu cinema.

“Precisamos que os espectadores se apaixonem pelo nosso cinema”, disse.

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