A estratégia de financiamento das alterações climáticas do Banco Mundial, que o chefe do Tesouro norte-americano considera “míope”, expira oficialmente no fim de Junho. Mas um grupo de accionistas deste banco internacional de desenvolvimento está a tentar encontrar formas de a manter viva, disse a ministra francesa do Desenvolvimento, Eleonore Caroit.
Caroit disse à Reuters que tem estado a discutir planos para manter intactos os benefícios básicos do Plano de Acção para as Alterações Climáticas do Banco Mundial, durante as reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que se realizaram esta semana em Washington.
“Não consideramos aceitável que este plano de acção expire e queremos encontrar uma solução para continuar a actuar neste domínio”, afirmou Caroit.
A Administração dos EUA, do Presidente Donald Trump, está a exigir que o Banco Mundial abandone o objectivo de dedicar 45% dos seus recursos anuais destinados à concessão de empréstimos a projectos relacionados com o clima e se concentre, em vez disso, nos empréstimos essenciais para o desenvolvimento, incluindo a retoma de projectos de combustíveis fósseis.
O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, congratulou-se esta semana com o fim esperado do Plano de Acção para as Alterações Climáticas, apelidando os objectivos do Banco Mundial em matéria de clima de “distorcidos” e “absurdos”.
“Foco míope”, diz EUA
“Após o fim desta estratégia, que já devia ter acontecido há muito tempo, esperamos que o Banco Mundial mude imediatamente o seu foco míope no clima e canalize financiamento para projectos duradouros e de alta qualidade, em vez de moldar e seleccionar projectos para perseguir objectivos de financiamento arbitrários que pouco fazem para tirar as pessoas da pobreza”, declarou Bessent, numa reunião dos comités directivos do Banco Mundial e do FMI.
Estas declarações não são muito diferentes das que Bessent fez há um ano. Mas a iminência do fim do prazo de estratégia climática e o enorme choque de preços e de abastecimento de petróleo e gás provocado pela guerra no Médio Oriente, que ameaça afundar a economia mundial, motivaram discussões mais intensas esta semana.
Um alto funcionário da área do desenvolvimento, presente nas reuniões do FMI e do Banco Mundial, disse à Reuters que deixar caducar o plano de acção seria “um sinal político importante”.
“Os projectos que têm um foco ostensivo e muito óbvio no clima, como a energia solar, podem estar em risco no conselho de administração do Banco Mundial”, disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato.
Divisões internas
Um grupo de 19 dos 25 accionistas do Banco Mundial assinou uma declaração em Outubro passado, apelando ao apoio continuado aos objectivos climáticos do banco. Mas os directores que representam os EUA, o Japão, a Índia, a Arábia Saudita, a Rússia e o Kuwait recusaram-se a assinar o documento.
Uma segunda fonte familiarizada com as deliberações do conselho de administração do Banco Mundial sobre o assunto disse que os directores executivos, que representam pouco mais de metade do poder de voto, apoiam a continuação do compromisso com o clima. Mas não é claro se isso se traduzirá ao nível dos ministros das Finanças ou mais acima.
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, cujo mandato, sob a Administração Biden, era aumentar rapidamente o financiamento climático e centrar-se nas energias renováveis, acabou no ano passado com a proibição de financiar projectos de energia nuclear e lançou um novo impulso para mais projectos de gás.
Em Outubro, no entanto, Ajay Banga voltou a designar os projectos relacionados com o clima como “desenvolvimento inteligente“, que cria emprego e retira pessoas da pobreza, ao mesmo tempo que cria resiliência contra secas, tempestades e inundações.
Segundo afirmou, 48% dos projectos financiados pelo Banco Mundial têm “co-benefícios” climáticos, e projectos como estradas resistentes às inundações, caminhos-de-ferro que transportam mercadorias de forma mais eficiente do que camiões, e sistemas de irrigação gota a gota que poupam água contam para esses objectivos.
Um tema para o G7
Caroit afirmou que continua a haver uma forte procura dos países em desenvolvimento deste tipo de projectos, que são considerados parte da estratégia climática, independentemente da forma como são rotulados, Isso inclui projectos de energia eólica e solar, bem como de adaptação às alterações climáticas.
“Estamos a falar de limitar o impacto das alterações climáticas”, afirmou a ministra francesa. “E, em última análise, estamos a falar de melhorar a vida das pessoas, ajudando-as a lutar contra furacões, inundações e todas estas catástrofes.”
Caroit acrescentou que França irá defender a preservação dos objectivos do Acordo de Paris de 2015 em matéria de alterações climáticas, no âmbito da sua presidência do G7 (o grupo das sete nações mais industrializadas) este ano.
Os ministros das finanças e os governadores dos bancos centrais deverão reunir-se em Paris a 18 e 19 de Maio, antes da cimeira dos líderes em Evian-les-Bains, em Junho.
Disclaimer : This story is auto aggregated by a computer programme and has not been created or edited by DOWNTHENEWS. Publisher: feeds.feedburner.com



