A administração do centro comercial Estação Viana, em Viana do Castelo, disse nesta quinta-feira à Lusa estar a avaliar o futuro das antigas salas de cinema, encerradas desde Janeiro.
“Relativamente ao espaço anteriormente ocupado pelo cinema, o seu futuro enquadramento encontra-se em avaliação”, afirmou fonte oficial da empresa, em resposta a um pedido de esclarecimento enviado pela agência Lusa. A empresa Sonae Sierra acrescentou “que qualquer desenvolvimento será comunicado oportunamente”.
“A administração do Estação Viana está em constante análise de diferentes oportunidades no âmbito da gestão do seu activo, sempre com o objectivo de assegurar um tenant mix equilibrado e uma oferta ajustada à evolução do mercado e às preferências dos visitantes”, referiu, ainda, a empresa detentora do “shopping”.
Em 2024, o Ministério da Cultura autorizou um pedido de desafectação de actividade das quatro salas no Estação Viana Shopping, em Viana do Castelo, a pedido dos proprietários do centro comercial.
Actualmente, o espaço está tapado com um painel com um desenho da estação de caminhos-de-ferro de Viana do Castelo e da estátua de dois dançarinos do vira, situada mesmo em frente à estação.
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, Luís Nobre, revelou que a autarquia “está a acompanhar, junto da tutela e da gestão do shopping toda a situação e tudo fará para garantir que o cinema comercial continue a existir, a um ritmo diário, na cidade e no distrito de Viana do Castelo”.
“É preciso recordar que um dos pressupostos que estiveram subjacentes à construção do centro comercial na zona do centro histórico da cidade passaram também pela vertente cultural, pelo que a integração das salas de cinema foi um ponto de ponderação na decisão”, sustentou Luís Nobre.
Segundo o autarca socialista, “é uma prioridade para o município garantir o cinema comercial diário, em diversos horários, no principal centro comercial da cidade, para que os vianenses possam usufruir desta oferta cultural tão relevante e enriquecedora”.
Em Abril, o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto revelou que os municípios e organismos com responsabilidades na área do cinema vão passar a ser envolvidos na avaliação do impacto cultural que a desafectação das salas de cinema tem nos territórios em causa.
As novas diligências instrutórias incluem a participação do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), da Direcção-Geral das Artes (DGArtes) e da Cinemateca Portuguesa, além das autarquias locais.
De acordo com o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, esta decisão resulta das recomendações do grupo de trabalho sobre exibição cinematográfica, cujo relatório final foi entregue a 27 de Março e apresentado formalmente à ministra no dia 06 de Abril.
O grupo de trabalho foi criado pelo Governo após o aumento significativo de pedidos de desafectação da actividade das salas de cinema.
Em 2025 foram formalizados cerca de 30 pedidos, aos quais se somam mais de uma dezena desde o início deste ano.
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