A UNESCO anunciou esta quinta-feira a inclusão do Geoparque Algarvensis na sua Rede Mundial de Geoparques. A designação foi oficializada através de um comunicado de imprensa, colocando o território algarvio no mapa global da geologia e do desenvolvimento sustentável.
O Algarvensis integra um grupo de 12 novos geoparques reconhecidos pela organização, localizados na China, França, Grécia, Irlanda, Japão, Malásia, Rússia, Tunísia e Uruguai. As aprovações foram decididas pelo Conselho Executivo da UNESCO após avaliação por especialistas internacionais do Conselho Global de Geoparques.
A Rede Mundial passa agora a contar com 241 sítios distribuídos por 51 países, cobrindo uma área superior a 882 mil quilómetros quadrados — equivalente ao território da Venezuela.
História geológica
O Geoparque Algarvensis estende-se pelos municípios de Loulé, Silves e Albufeira, numa área contínua de 2.427 quilómetros quadrados que abrange as zonas da Serra, do Barrocal e do Litoral, incluindo ainda uma parte marinha significativa.
O território documenta mais de 330 milhões de anos de história geológica, com registos de processos tectónicos, vulcânicos e sedimentares que testemunham eventos como a formação do supercontinente Pangeia, a abertura do Oceano Atlântico e vários episódios de extinção em massa.
A UNESCO destacou dois elementos em particular: os depósitos de tsunami na Lagoa dos Salgados, gerados pelo Terramoto de Lisboa de 1755, e a Mina de Sal de Loulé — o ponto mais profundo de Portugal aberto ao público, que serviu a indústria portuguesa durante vários séculos.
Contra o despovoamento
A par da riqueza geológica, a UNESCO reconhece a coexistência de ecossistemas mediterrânicos preservados e de um ambiente marinho diversificado com um legado cultural e humano extenso. No interior do geoparque encontram-se monumentos megalíticos, evidências de antigos sistemas de escrita ibéricos, herança da ocupação romana e islâmica, aldeias tradicionais, artesanato e uma gastronomia enraizada na Dieta Mediterrânica.
A UNESCO reconheceu ainda o modelo socioeconómico do geoparque, orientado para reequilibrar as assimetrias demográficas do Algarve. Sendo a região o principal pólo do turismo balnear português, a densidade populacional costeira triplica no Verão, enquanto o interior enfrenta despovoamento e declínio económico.
O Algarvensis procura combater esta tendência usando a geologia para impulsionar a economia local, incentivar os turistas a explorarem o interior e promover programas de consciencialização ambiental junto dos mais jovens.
Um projecto colectivo
A inclusão resulta de um trabalho colaborativo entre as autarquias de Loulé, Silves e Albufeira, entidades públicas, populações residentes e a Universidade do Algarve. A academia integra a direcção do geoparque, papel actualmente representado pela pró-reitora Vânia Serrão de Sousa.
O director-geral da UNESCO, Khaled El-Enany, afirmou que cada formação rochosa, desfiladeiro e fóssil conta uma história que pertence a toda a humanidade, acrescentando que os Geoparques Mundiais demonstraram que proteger o património geológico significa fazer avançar a ciência, fortalecer a educação e construir a resiliência local. Para a UNESCO, a essência da rede não se resume à significância geológica, assentando num compromisso de transmissão de conhecimento que coloca as comunidades locais no centro das acções.
Portugal passa agora a contar com sete Geoparques Mundiais da UNESCO no seu território.
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